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BabosaAloe vera

Ficha Técnica

Nome Botânico: 

Aloe vera

Sinonímia: Aloe barbadensis, Aloe indica, Aloe vulgaris, Aloe perfoliata, Aloe elongata, Aloe flava, Aloe lanzae, Aloe littoralis, Aloe maculata, Aloe rubescens, Aloe variegata, Aloe chinensis

Nome Popular: Babosa

Outros Nomes: Babosa de Jardim, Aloé, Aloe Vera Babosa, Aloe-chinês, Aloe-indiano, Aloe-real, Aloe-de -Barbados, Aloe-de-queimadura, Babosa-medicinal, Erva-babosa

Luminosidade: Meia SombraSol Pleno

Origem: OmãPenínsula Arábica

Clima: EquatorialMediterrâneoSemi-áridoSubtropicalTemperadoTropical

Ciclo de Vida: Perene

Altura: 0.4 a 0.6 metros

Família: Asphodelaceae

Cuidado

O látex amarelado da folha, rico em antraquinonas (aloína), é tóxico por via oral, podendo causar diarreia, cólicas, desidratação e interações; o extrato de folha inteira é classificado como possivelmente cancerígeno (IARC 2B); evite ingestão, remova o látex ao usar o gel tópico e mantenha fora do alcance de crianças, gestantes e lactantes. Pode naturalizar-se e tornar-se invasora em regiões áridas e subtropicais, formando touceiras que deslocam a flora nativa; controle brotações e faça descarte responsável.

Planta medicinal

Indicações: queimaduras leves, irritações cutâneas, escoriações superficiais, cicatrização de feridas menores

Propriedades: cicatrizante, anti-inflamatória, calmante, emoliente

Partes Utilizadas: gel do parênquima foliar (uso tópico)

É considerada nativa do sudeste da Península Arábica, especialmente das Montanhas Hajar no nordeste de Omã e no leste dos Emirados Árabes Unidos. A distribuição natural é pouco clara devido ao cultivo antigo e extensivo, mas a espécie encontra-se naturalizada no Norte da África, no Sudão e países vizinhos, bem como nas Ilhas Canárias, Cabo Verde e Madeira, e em partes do sul da Europa como o Algarve e regiões da Espanha.

Em seu habitat, ocorre em areais e rochedos costeiros, geralmente do nível do mar a baixas altitudes, sob condições áridas a semiáridas. Prefere solos arenosos muito bem drenados e alta insolação, tolerando longos períodos de seca. A presença atual em regiões áridas, tropicais, subtropicais e temperadas secas de vários continentes decorre em grande parte da introdução humana e posterior naturalização.

A Aloe vera é uma planta herbácea, suculenta e perene, de porte geralmente acaule ou com caule muito curto. Sua roseta alcalça de 40–60 cm de diâmetro e, quando em floração pode atingir cerca de 60 a 100 cm de altura. O sistema radicular é fasciculado, superficial, frequentemente associado a micorriza arbuscular, e conectado a curtos rizomas rastejantes que emitem brotações laterais. O caule, quando presente, é suculento, verde a cinza‑esverdeado, de superfície lisa, pouco espesso e em grande parte recoberto por bases foliares persistentes. Seu crescimento é lento, formando touceiras densas pela formação de brotos laterais que surgem na base.

 

Suas folhas são dispostas em roseta basal densa, sésseis, estreitamente triangular‑lanceoladas, com cerca de 40–50 cm de comprimento por 6–15 cm de largura em plantas adultas. Apresenta coloração verde a cinza‑esverdeada, frequentemente glauca. As plantas jovens e a base das folhas mais velhas podem apresentar pontuações claras. Cada folha tem uma borda serrilhada com dentes firmes, esbranquiçados, de aproximadamente 2 mm, geralmente retrorsos; e apresentam nervação paralela pouco evidente devido à suculência. Sua superfície é lisa, com cutícula espessa e leve pruína, além de lâmina foliar espessa e carnosas, sem pecíolo. Sua folhagem é persistente (perenifólia).

A Aloe vera é hermafrodita, com flores bissexuais. Sua florada ocorre predominantemente no verão, podendo estender‑se da primavera ao verão em cultivo. O início da floração usualmente ocorre após 3–4 anos após o plantio. Apresenta inflorescências terminais em hastes de 60–100 cm, simples ou pouco ramificadas, formando racemos cilíndrico‑cônicos com brácteas pequenas e coloração floral predominantemente amarela. Flores tubulores, pendentes na maturação, actinomorfas, com perianto de cerca de 25–30 mm e estames exertos.

polinização cruzada, ocorre principalmente por aves, como beija-flores, cambacicas e sunbirds (ornitofilia), com participação de abelhas em algumas regiões. O fruto é uma cápsula seca, deiscente, estreita, com cerca de 20–25 × 6–8 mm, tornando‑se parda na maturidade. Contém sementes numerosas, de aproximadamente 5 mm, delgadas, achatadas e aladas, dispersas predominantemente pelo vento (anemocoria).

Inflorescências da Aloe vera

A Babosa tem longa trajetória cultural e médica documentada desde o Egito Antigo, onde era associada à “planta da imortalidade”, passando por registros no Papiro de Ebers (século XVI a.C.), no De Materia Medica de Dioscórides e nas referências de Plínio, o Velho. Relatos históricos citam seu uso por figuras como Nefertiti e Cleopatra em rotinas de cuidados com a pele, e há menções ao interesse de Alexandre Magno pelas populações de Aloe em Socotra. No período das grandes navegações, a Aloe vera teria sido transportada a bordo para tratar ferimentos, popularizando-se posteriormente nas Américas.

Duas frações da planta sustentam usos distintos: o gel transparente do parênquima foliar, utilizado topicamente em cosméticos e produtos para cuidados com a pele, e o látex amarelado (rico em antraquinonas como a aloína), historicamente empregado como laxante. Apesar do uso disseminado em loções, cremes e pomadas, a eficácia clínica para várias indicações é considerada inconsistente, com estudos mostrando resultados contraditórios. A aplicação tópica é, em geral, bem tolerada, enquanto a ingestão pode ser tóxica e apresentar interações medicamentosas.

Produtos alimentares com gel de Aloe vera existem (iogurtes, bebidas e sobremesas), mas há ressalvas de segurança: a aloína foi banida de laxantes OTC nos EUA em 2002, e o extrato de folha inteira foi classificado pela IARC como possivelmente cancerígeno (grupo 2B). No Brasil, a ANVISA não registra Aloe vera para consumo oral e alerta para riscos em sucos e alimentos. O uso tópico do gel para cicatrização, por outro lado, possui aprovação.

 

O uso cosmético do gel da babosa é amplamente difundido em tratamentos caseiros para pele e cabelos, graças às suas propriedades hidratantes, calmantes, cicatrizantes e regeneradoras. Rico em polissacarídeos como o acemanano, além de vitaminas (A, C, E e do complexo B), enzimas, minerais e aminoácidos, o gel atua na hidratação profunda da epiderme, aliviando queimaduras solares, irritações, acne e ressecamento.

Na rotina capilar, é utilizado como máscara hidratante natural, ajudando a restaurar fios danificados, controlar o frizz, reduzir a caspa e estimular o crescimento saudável. Ao aplicar nos cabelos vale à pena remover sua fibra, que pode ficar grudada nos fios. Sua textura leve e aquosa facilita a aplicação direta sobre a pele limpa ou misturada a cremes, óleos vegetais ou condicionadores, oferecendo uma alternativa eficaz e acessível para cuidados diários de beleza.

Para além dos seu uso cosmético e medicinal, a babosa chama atenção por três aspectos distintos que revelam sua complexa biologia. Os polissacarídeos do gel, especialmente o acemanano, são moléculas de alto peso molecular que conferem as propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes da planta, atuando como imunomoduladores naturais que estimulam a atividade de macrófagos e promovem a regeneração tecidual.

Plantação de Aloe vera com irrigação

A simbiose micorrízica estabelecida entre suas raízes e fungos benéficos do solo facilita a absorção de nutrientes escassos, particularmente fósforo, permitindo que a planta prospere em solos pobres onde outras espécies falhariam. Seu metabolismo CAM (Metabolismo Ácido das Crassuláceas) representa uma adaptação evolutiva sofisticada na qual os estômatos se abrem durante a noite para capturar CO₂, reduzindo drasticamente a perda de água por transpiração e tornando possível sua sobrevivência em ambientes áridos.

No paisagismo, a Babosa é uma suculenta estrutural para composições de baixo consumo de água, funcionando bem em jardins de rochas (rocallas), jardins mediterrâneos e xeropaisagismo. Ela forma rosetas perenes com folhas espessas e margens denteadas, criando contrastes de textura e cores com pedras e outras suculentas. Quando adulta, emite hastes florais com flores tubulares amarelas a alaranjadas que atraem pequenas aves nectarívoras, adicionando assim grande interesse e vivacidade ao jardim.

A babosa pode atuar como ponto focal em maciços ou ser repetida em bordaduras para continuidade visual. Os dentes foliares colaboram como uma barreira leve, ajudando a direcionar o fluxo de pessoas. Em interiores, a Babosa é excelente para cultivo em vasos, preferencialmente de terracota, que tendem a secar mais rapidamente e evitam assim o apodrecimento das raízes. Nestes locais, é fundamental posicioná-la em local com incidência direta do sol, por pelo menos 4 horas por dia, o que pode ser conseguido próximo a uma janela de posição solar leste, oeste ou norte (hemisfério sul). No hemisfério norte, além das posições leste e oeste, convém posicioná-la ao sul, onde é mais ensolarado.

Em projetos que integram utilidade e estética, pode-se reservar um canteiro ou vaso dedicado para colheita de folhas destinadas ao uso tópico do gel. O conjunto de rosetas, flores sazonais e a manutenção simples da babosa, faz desta espécie uma escolha funcional para varandas, pátios e jardins secos, com combinações harmoniosas ao lado de cactos e outras suculentas de porte similar.

Em locais quente e ensolarados, próximo à linha do Equador, a babosa pode adquirir tons avermelhados.

A babosa exige muita luz: desenvolve-se melhor em pleno sol, tolerando meia-sombra em varandas ou ambientes internos. Caso perceba que as folhas estão cilíndricas e longas, com aumento do espaço entre elas, e perda da característica de roseta, aumente as condições de luminosidade. Sempre aclimate plantas que vierem de ambientes internos para o sol direto gradualmente, pois as folhas podem avermelhar ou queimar sob súbito excesso de radiação. Adapta-se a climas tropicais, subtropicais, semiáridos e temperados quentes (equivalente a zonas 8–11), com melhor desempenho em ambientes secos.

A faixa de temperatura ideal para seu desenvolvimento situa-se entre 19–27 °C, tolerando 10–35 °C; abaixo de 0 °C há danos e não suporta geadas prolongadas. Pode suportar geadas leves e muito breves até cerca de −3 °C se o substrato estiver seco, mas o frio úmido é particularmente prejudicial. Tolera alguma salinidade e cresce bem em áreas litorâneas, desde que o solo drene rapidamente e a planta não permaneça úmida por longos períodos.

No jardim, prefira solos arenosos ou franco-arenosos, muito bem drenados, com pH levemente ácido a neutro (6,5–7,5), tolerando 6–8, e fertilidade baixa a moderada. Em vasos, use mistura específica para cactos e suculentas, porosa e, se plantar em vasos, prefira recipientes de terracota com múltiplos furos, que facilitam a rápida drenagem. Regue apenas quando o substrato estiver completamente seco em toda a profundidade; se preferir utilize um palito de churrasco no vaso para verificar a umidade.

A babosa encaixa-se bem à proposta do Urban Jungle.

No inverno ou em dormência, reduza drasticamente as regas. A babosa é bastante tolerante à seca, mas sensível ao encharcamento e à umidade persistente sobre as folhas e a coroa, condições que favorecem podridões. Direcione a água ao substrato, evitando molhar o miolo da roseta, e descarte o excesso do prato. Em jardins com chuva recorrente, plante em camalhões ou canteiros elevados para favorecer a drenagem.

No plantio, posicione a muda da babosa com o colo ligeiramente acima do nível do solo e evite enterrar a roseta, compactando levemente o entorno para estabilização. A adubação deve ser com parcimônia: aplique uma formulação para cactos/suculentas ou NPK de liberação lenta em baixa dosagem no início da primavera e, se necessário, repita no verão.

Faça a limpeza retirando folhas secas, danificadas e inflorescências após a frutificação, cortando rente à base com tesoura ou canivete esterilizados. Utilize cobertura mineral (brita fina ou cascalho) afastada do colo da planta para reduzir respingos e manter a coroa seca. Evite mulching orgânico espesso que retém umidade. Em vasos, desagrupe e replante as brotações que surgirem para evitar superlotação, prevenir o aparecimento de pragas e manter o vigor.

A babosa é relativamente resistente, porém pode ser atacada por cochonilhas-farinhentas, cochonilhas-de-escamapulgões e ácaros, que debilitam a planta e favorecem fumagina. Manchas foliares, ferrugem-do-aloe e podridão de raízes surgem sobretudo por excesso de umidade e drenagem deficiente. Previna com alta luminosidade, boa ventilação, regas criteriosas e inspeções periódicas, removendo manualmente focos iniciais. Para este manejo, utilize álcool isopropílico em cotonete, sabão inseticida ou óleo de neem, e, em caso de podridão, elimine tecidos afetados e replante em substrato seco e estéril.

Descascando a folha da Aloe vera

multiplicação mais eficiente é por separação de brotações que surgem ao redor da planta-mãe. Quando as brotações atingirem 15–20 cm, destaque-as com um corte limpo, deixe cicatrizar em local sombreado e seco por 2–7 dias e plante em substrato muito drenante; aguarde 5–7 dias para a primeira rega leve. Realize o procedimento na primavera ou verão, com temperaturas amenas a quentes, para enraizamento rápido.

propagação por sementes é possível, mas a frutificação é rara fora de sua área de origem. A semeadura, quando disponível, deve ser feita em bandejas com mistura arenosa esterilizada, ligeira sombra e 16–25 °C, podendo germinar em 1–6 meses. O primeiro florescimento ocorre geralmente entre 3 e 4 anos de idade. Para colheita de folhas, a planta atinge porte aproveitável por volta de 3 anos e pode ser produtiva por cerca de 7 anos.

Para extrair o gel da babosa em casa, escolha uma folha adulta, mais externa e próxima à base da planta, onde há maior concentração do gel. Corte-a rente ao caule com uma faca afiada e higienizada. Em seguida, lave bem a folha em água corrente e deixe-a em pé por alguns minutos para escorrer o látex amarelado, uma seiva que pode ser irritante para a pele e não deve ser utilizada.

Depois, com auxílio de uma faca, retire as bordas serrilhadas e a casca verde, expondo a polpa translúcida. Esse gel pode ser raspado com uma colher e armazenado em um recipiente limpo, preferencialmente de vidro. Para uso imediato, aplique diretamente sobre a pele ou os cabelos. Se desejar por misturar com creme hidratante ou condicionador branco de sua preferência. Pode ser conservado por 5 dias, se mantido em geladeira, sempre em pote bem fechado.

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