Árvores Frutíferas
Explore a categoria de Árvores Frutíferas no paisagismo e descubra espécies que unem beleza ornamental e produção de frutos saborosos. Aqui, você encontrará fichas detalhadas das principais árvores frutíferas cultivadas no Brasil, com informações sobre identificação, dicas de cultivo e cuidados essenciais.Seja para criar jardins produtivos ou valorizar áreas verdes, esta categoria oferece opções ideais para todas as necessidades. Inspire-se com sugestões para composições paisagísticas, aproveite os benefícios ambientais e transforme seu espaço com o charme e a utilidade das árvores frutíferas.



Atemóia
Annona × atemoya
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Annona × atemoya
Nome Popular: Atemóia
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América do Sul, Colômbia, Equador, Peru
Clima: Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros
Família: Annonaceae
Cuidado
As sementes da atemóia não devem ser consumidas, pois contêm alcaloides e compostos tóxicos que podem causar efeitos adversos à saúde.
A Atemóia (Annona × atemoya) é uma árvore frutífera híbrida entre a fruta-do-conde (Annona squamosa) e a cherimóia (Annona cherimola), destacando-se por sua polpa doce, textura cremosa e aroma delicado. Seu cultivo tem se expandido em diversas regiões tropicais e subtropicais ao redor do mundo, destacando-se por sua adaptabilidade a altitudes moderadas e climas com invernos amenos, sendo cultivada com sucesso em países como Brasil, Austrália, Israel, Tailândia, África do Sul e Estados Unidos.
A origem da atemóia remonta ao início do século XX, quando o horticultor P.J. Wester, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, realizou o primeiro cruzamento entre a cherimóia e a fruta-do-conde em 1908, em Miami. O objetivo era combinar a resistência ao frio da cherimóia com a produtividade e sabor da fruta-do-conde. Posteriormente, em 1917, Edward Simmons conseguiu cultivar híbridos que resistiram a temperaturas de até -3,1°C, demonstrando a rusticidade da nova variedade. Além desses cruzamentos controlados, híbridos naturais foram identificados na Venezuela e em plantações adjacentes de cherimóia e fruta-do-conde em Israel durante as décadas de 1930 e 1940, evidenciando a compatibilidade entre essas espécies.
Para compreendermos melhor a adaptabilidade da atemóia, é interessante estudarmos o habitat das espécies que lhe deram origem. A fruta-do-conde (Annona squamosa) é originária das regiões tropicais das Américas, particularmente da zona intertropical do continente americano, e apresenta ampla distribuição em áreas de clima quente e seco. Esta espécie adapta-se bem a altitudes de até 1000 metros e prefere solos bem drenados, com boa aeração e moderadamente férteis. É comum em zonas de savanas, caatingas e matas abertas, sendo frequentemente cultivada em áreas com temperaturas médias elevadas e estações secas bem definidas.
O fruto da atemóia é amplamente valorizado, sendo consumido principalmente in natura devido à sua polpa branca, cremosa, doce e de sabor delicado, que lembra uma combinação entre a banana e o abacaxi. Na gastronomia, pode ser utilizado no preparo de sucos, sorvetes, mousses, doces, compotas, drinks e sobremesas variadas, destacando-se pela textura aveludada e aroma exótico. A indústria aproveita sua polpa em produtos congelados, néctares e polpas pasteurizadas, especialmente em mercados que demandam frutas tropicais exóticas.
Fruto de variedade vermelha de Atemóia ‘Red Israel’.
A atemóia é rica em carboidratos, especialmente frutose e glicose, além de conter boas quantidades de vitamina C, potássio, fibras alimentares e compostos fenólicos com ação antioxidante. Seu teor energético médio varia entre 80 e 100 kcal por 100 gramas de polpa, o que a torna uma excelente fonte de energia rápida, especialmente indicada para crianças, atletas e pessoas com necessidades nutricionais elevadas.
No pomar doméstico, a Atemóia oferece dupla funcionalidade: produção alimentar e valor ornamental. Sua copa densa e arredondada, com folhagem verde-brilhante, proporciona sombra e emoldura áreas verdes com elegância tropical. Em projetos de paisagismo comestível, pode ser utilizada como ponto focal em quintais, hortas urbanas e jardins produtivos, integrando-se com outras frutíferas de pequeno porte e plantas aromáticas.
A floração discreta, mas exótica, e os frutos pendentes com formas esculturais enriquecem o aspecto visual do ambiente, além de atrair polinizadores como abelhas e besouros. A manutenção relativamente simples, permite sua inclusão em espaços residenciais e áreas de descanso de empresas, promovendo contato direto com a natureza e incentivando práticas sustentáveis como a colheita de alimentos no próprio jardim. Além disso pode ser cultivada em vasos, produzindo seus doces frutos em pátios, terraços e sacadas de apartamentos.
A atemóia se adapta bem a climas tropicais e subtropicais, preferindo temperaturas entre 20 °C e 30 °C. É sensível a geadas, especialmente em estágios jovens, embora árvores adultas possam tolerar temperaturas ligeiramente abaixo de 0 °C por curtos períodos. A planta requer alta luminosidade, com exposição direta ao sol por pelo menos 6 horas diárias, para garantir um bom desenvolvimento e frutificação. Prefere solos bem drenados, férteis e ligeiramente ácidos, com pH entre 5,5 e 6,5. Para cultivo em vasos, é recomendada a utilização de substratos ricos em matéria orgânica, com boa capacidade de retenção de umidade e drenagem eficiente.
Fruto cortado, evidenciando a polpa cremosa e suculenta, e as sementes pretas. Foto de Lazaregagnidze
O plantio das mudas deve ser realizado em berços de 40 cm x 40 cm x 40 cm, enriquecidos com 20 litros de esterco de curral bem curtido e 300 gramas de superfosfato simples, particularmente em solos de fertilidade média a baixa. O espaçamento ideal entre as plantas varia de 4 a 6 metros, dependendo do porte da cultivar e das práticas de manejo adotadas. O tutoramento das mudas é importante nos primeiros anos para garantir o crescimento vertical e evitar quebras. A irrigação deve ser regular, mantendo o solo úmido, especialmente durante os períodos de floração e frutificação, evitando-se o encharcamento que pode levar ao apodrecimento das raízes. Em plantios comerciais, o uso de microaspersores por planta é recomendado.
A adubação deve ser equilibrada, com aplicações periódicas de macro e micronutrientes, conforme análise de solo e necessidades da planta, especialmente os seguintes nutrientes:
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O nitrogênio deve ser fornecido de maneira fracionada ao longo do ciclo vegetativo para evitar perdas por lixiviação e promover um crescimento contínuo. Recomenda-se aplicar entre 150 a 300 g de N por planta adulta por ano, ajustando a dose conforme o vigor da planta e o histórico de produção. Fontes recomendadas incluem nitrato de amônio, ureia protegida ou nitrato de cálcio, com preferência por fontes menos voláteis em solos arenosos ou regiões chuvosas.
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O fósforo é fundamental na fase inicial de desenvolvimento e na indução floral. A dose anual varia entre 80 a 150 g de P2O5 por planta adulta, podendo ser aplicado na forma de superfosfato simples, fosfato monoamônico (MAP) ou fontes naturais como termofosfato magnesiano, sempre respeitando a disponibilidade local e a reatividade com o solo.
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O potássio é decisivo na qualidade dos frutos, influenciando o teor de sólidos solúveis e a resistência a pragas. Para plantas adultas, a aplicação anual recomendada varia de 150 a 250 g de K2O, utilizando fontes como cloreto de potássio (com cautela em solos salinos) ou sulfato de potássio, que também fornece enxofre.
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O cálcio, além de participar da formação estrutural dos tecidos vegetais, é crucial na integridade da parede celular dos frutos. A aplicação de 100 a 200 g de Ca por planta por ano, especialmente via nitrato de cálcio, contribui para a firmeza da polpa e reduz a incidência de desordens fisiológicas nos frutos.
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O boro, micronutriente exigido em pequenas quantidades mas essencial para a frutificação, deve ser aplicado a uma taxa anual de 1 a 2 g de B por planta. Em solos pobres, o uso de fontes como bórax ou ácido bórico, diluídos em água e aplicados via fertirrigação ou pulverização foliar, é recomendado, com concentrações foliares entre 0,05% e 0,1% por aplicação.
Todas as doses devem ser ajustadas com base em análises químicas periódicas do solo e tecido foliar, priorizando-se uma aplicação fracionada ao longo das fases críticas — brotação, floração e frutificação — para maior eficiência de absorção. Além desses nutrientes importantes é preciso levar em consideração outros como Enxofre, Magnésio, etc, conforme análise.
A estruturação da planta por meio da poda é indispensável. Assim que a muda atinge cerca de 60 centímetros de altura, realiza-se o corte do eixo principal para estimular a brotação lateral. Nos primeiros três anos, podas sucessivas ajudam a estabelecer uma copa bem formada, arejada e de fácil manejo. Já em plantas adultas, as podas de produção devem ser realizadas anualmente, no final do inverno ou início da primavera, removendo ramos improdutivos, doentes ou mal posicionados, com o objetivo de induzir novos fluxos vegetativos e melhorar a frutificação.
Detalhe do botão floral. Foto de kfar_masaryk
Para cultivares que não apresentam autopolinizadores eficazes, como é comum na maioria das atemóias, a polinização manual representa prática valiosa. O ideal é coletar flores no final da tarde, armazená-las em sacos de papel em local seco, e realizar a aplicação do pólen logo nas primeiras horas da manhã seguinte com o auxílio de pincéis finos ou dispositivos artesanais, garantindo maior quantidade e uniformidade de frutos.
A atemóia apresenta moderada resistência à seca, mas períodos prolongados sem irrigação adequada podem comprometer a produção de frutos e a saúde da planta. É sensível a ventos fortes, que podem causar danos físicos e queda de frutos, sendo recomendada a implantação de quebra-ventos naturais ou artificiais em regiões com ventos intensos. A planta não tolera bem a salinidade elevada, sendo inadequada para cultivo em áreas costeiras com solos salinos ou exposição direta a ventos carregados de sal.
A atemóia pode ser afetada por diversas espécies de insetos, como cochonilhas, pulgões, ácaros e moscas-das-frutas, que podem comprometer a qualidade dos frutos e a sanidade da planta. Entre as mais importantes estão a broca do fruto e a broca da semente. A broca do fruto é causada por uma mariposa de coloração branco-acinzentada, cujas fêmeas colocam os ovos sobre as folhas e frutos pequenos; as larvas atacam e destroem o interior da polpa e das sementes. A broca da semente é provocada por uma pequena vespa que deposita os ovos nas sementes dos frutos ainda pequenos; à medida que os frutos e a semente crescem, a larva também se desenvolve e empupa, completando o ciclo. O controle dessas pragas é feito, principalmente, protegendo o fruto ainda pequeno com sacos plásticos perfurados, que devem ser retirados antes da colheita.
Doenças fúngicas, como a antracnose (causada por Colletotrichum gloeosporioides), podem afetar folhas, flores e frutos, especialmente em condições de alta umidade e temperaturas elevadas. A antracnose deixa manchas enegrecidas nos frutos e reduz drasticamente a durabilidade após a colheita. Em pomares de atemóia, recomenda-se sua aplicação preventiva de calda bordalesa durante os períodos de maior risco, como o início das chuvas e o período vegetativo, respeitando-se as dosagens apropriadas para evitar fitotoxicidade. Sua utilização deve ser integrada a outras práticas culturais, como a poda de arejamento, o controle de umidade no solo e a eliminação de resíduos vegetais doentes.
A manutenção do pomar exige controle periódico das plantas daninhas, preferencialmente com roçadeiras, tomando-se o cuidado de evitar lesões nas raízes superficiais. Sob a copa, a limpeza deve ser manual ou com ferramentas de precisão. A utilização de forração leguminosa, com fixação de nitrogênio, como a grama-amendoim, pode ser uma estratégia para aumentar a fertilidade e evitar o surgimento de ervas indesejadas. Em áreas com histórico de nematoides, recomenda-se a substituição do local de cultivo ou o uso de práticas preventivas como a solarização do solo. Esses cuidados, aplicados de forma sistemática e ajustados às condições locais, formam a base para um cultivo sustentável, vigoroso e de alta produtividade da atemóia.
A propagação da atemóia é realizada quase exclusivamente por meio de enxertia, uma vez que, por ser um híbrido, apresenta baixa uniformidade genética e grande variabilidade quando multiplicada por sementes. Além disso, a enxertia assegura a manutenção das características da cultivar-matriz, como qualidade do fruto, resistência a doenças e vigor vegetativo. Entre os métodos mais utilizados estão a enxertia por garfagem lateral ou em fenda cheia, realizados em viveiros protegidos e com mudas ainda em fase jovem.
Fruto atacado por cochonilhas.
O porta-enxerto mais recomendado para a atemóia é a Annona squamosa (fruta-do-conde), por sua alta compatibilidade, boa rusticidade e excelente sistema radicular, que garante maior adaptação ao solo e vigor inicial. Outras espécies como Annona cherimola também podem ser utilizadas, especialmente em regiões de clima mais ameno, mas tendem a ser mais exigentes em relação à umidade e qualidade do solo. O porta-enxerto é obtido a partir de sementes frescas semeadas em substrato leve, bem drenado e com boa retenção hídrica, como uma mistura de areia, vermiculita e matéria orgânica estabilizada. As sementes devem ser previamente lavadas e secas à sombra, podendo ser tratadas com fungicidas específicos para prevenir ataques de patógenos de solo.
A germinação ocorre em média entre 15 e 30 dias após a semeadura, dependendo da temperatura e umidade. As plântulas devem ser mantidas sob sombreamento de 50% até atingirem cerca de 30 a 40 cm de altura, momento ideal para a enxertia. Após a enxertia, que deve ser feita com material vegetativo de cultivares certificadas, recomenda-se manter as mudas em ambiente protegido, com umidade relativa elevada e temperatura entre 24 °C e 28 °C, até o completo pegamento do enxerto. O pegamento é favorecido pelo uso de lâminas bem afiadas, desinfetadas, e por amarração firme com fita plástica biodegradável.
Durante os primeiros meses após a enxertia, é importante realizar desbrotas frequentes abaixo da região do enxerto, garantindo que apenas a copa desejada se desenvolva. A adubação das mudas deve ser feita com fertilizantes em baixa concentração. O transplante para o local definitivo pode ocorrer entre 4 e 6 meses após a enxertia, quando a muda apresentar altura de 50 a 80 cm, caule lignificado e boa arquitetura foliar. Utilizando o método de propagação por enxertia, as mudas de atemóia geralmente iniciam sua produção entre o segundo e o terceiro ano após o plantio definitivo no campo.



Grumixama
Eugenia brasiliensis
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Eugenia brasiliensis
Sinonímia: Stenocalyx brasiliensis, Myrtus dombeyi, Eugenia bracteolaris, Myrtus grumixama, Eugenia ubensis, Stenocalyx ubensis, Eugenia filipes, Eugenia dombeyi
Nome Popular: Grumixama
Outros Nomes: Grumixaba, Cumbixaba, Ibaporoiti, Xaneira de nega, Xaneira, Grumixameira, Gurumixameira
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Origem: América do Sul, Brasil
Clima: Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros, acima de 12 metros
Família: Myrtaceae
A Grumixama (Eugenia brasiliensis), conhecida também por uma gama de nomes como Grumixaba, Cumbixaba e Ibaporoiti, é uma árvore ou arbusto de médio a grande porte, bastante rústica e nativa da resplandecente Mata Atlântica brasileira, desde o sul da Bahia até o estado de Santa Catarina. O nome Grumixama, vem do Tupi antigo komixã, e significa ”Fruta que pega ou aperta na boca ao comer”, provavelmente uma alusão ao teor de taninos na fruta, principalmente quando verdes. Apesar disso, os frutos maduros são doces e saborosos e em nada “apertam na boca”. Não obstante a sua robustez, a Grumixama enfrenta ameaças devido ao desmatamento e degradação das áreas de Mata Atlântica, estando classificada como vulnerável.
A Grumixama é uma árvore tropical notável que exibe uma estrutura ramificada, com altura variando de 3 a 6 metros em ambientes abertos, podendo atingir até 15 metros em florestas densas. Sua copa se destaca pela forma cônica ou piramidal e, pela densidade da folhagem, que é persistente ao longo do ano. O tronco da Grumixama é relativamente curto e retilíneo, revestido por uma casca de tonalidade verde-acinzentada que se destaca em tiras longitudinais.
Foto de Canva
As folhas da Grumixama chamam atenção por seu brilho e pela ausência de pelos, apresentando uma superfície lisa. Elas são robustas, lembrando a textura do couro, e têm um formato peculiar: obovadas, ou seja, mais largas na extremidade superior, e oblongas, sendo mais compridas do que largas, com dimensões de 6 a 13 centímetros de comprimento por 4 a 6 centímetros de largura. O pecíolo, que é a pequena haste que une a folha ao galho, tem cerca de 1,5 centímetros. As folhas têm uma base afinada, reminiscente de uma cunha, e terminam em uma ponta curta e arredondada no ápice.
As flores desta árvore são um espetáculo à parte. Elas surgem solitárias ou agrupadas de 3 a 5, brotando nas axilas das folhas. Cada flor é formada por dois conjuntos de estruturas protetoras: o cálice, que é a parte externa com formato de pequena cúpula e se divide em quatro sépalas, e a corola, composta por quatro pétalas brancas e delicadas, que conferem um visual simples e elegante. Com um diâmetro de cerca de 2,5 centímetros, essas flores não só embelezam a árvore, mas também são fundamentais para a reprodução da espécie. Após a polinização, no final da primavera e verão, formam-se bagas esféricas roxas-escuras com polpa aquosa levemente ácida e deliciosas! Os frutos encerram sementes grandes e arredondadas.
Além da espécie tipo, a Grumixama apresenta três variedades botânicas: a E. brasiliensis var erythrocarpus, com seus frutos grandes e roxos ou avermelhados, a E. brasiliensis var iocarpus, a grumixama de frutos pretos, e a E. brasiliensis var leucocarpus, adornada com frutos amarelos. Cada uma traz um toque distinto tanto ao paladar quanto à estética de paisagismos urbanos e rurais.
Foto de Craig
A Grumixama destaca-se no cenário paisagístico não só pela sua estrutura majestosa e copa densa, mas também pela sua floração exuberante. As flores, pequenas e cíclicas, adornam a árvore com tons de branco puro, criando um contraste visual contra o verde escuro das folhas brilhantes e coriáceas. Além disso, quando em fruto, a árvore se enfeita com os frutinhos, adicionando um toque de cor vibrante que atrai tanto o olhar quanto os passarinhos, trazendo interesse e dinamismo ao jardim. Essa combinação de cores, formas e texturas confere à Grumixama um lugar de destaque em qualquer projeto paisagístico, oferecendo um espetáculo natural que varia com as estações. Cultivar a Grumixama é investir na beleza, na ecologia e na história. É preservar um pedaço da Mata Atlântica em seu próprio jardim, contribuindo para a continuidade de uma espécie que, apesar das adversidades, permanece sendo um símbolo da resiliência e exuberância natural.
Seu valor não se restringe ao ornamental. A Grumixama é uma espécie melífera para diferentes tipos de polinizadores, além de atrair e alimentar a avifauna tão importante para a recomposição florística de áreas degradadas. Os frutos da Grumixama são uma delícia ao paladar, consumidos in natura ou utilizados em sucos, doces, bolos, aguardentes, licores, geléias, vinagres e sorvetes. Para os entusiastas da marcenaria e carpintaria, a madeira desta árvore também possui grande valia servindo para a produção de móveis, artesanato e forros.
Foto de Canva
No que tange ao cultivo, esta espécie é versátil. A Grumixama pode ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, e adapta-se a diferentes tipos de solo, contanto que sejam bem drenados e ricos em matéria orgânica. A planta frutifica abundantemente, preferencialmente em clima subtropical ou tropical, com atenção especial à irrigação durante a florada e enchimento dos frutos. No tolera a salinidade de regiões litorâneas. Para a propagação, recomenda-se pressa e paciência. Eu explico. As sementes são de natureza recalcitrante, ou seja, perdem o poder germinativo rapidamente, então devem ser plantadas frescas, assim que colhidas. Elas exigem um substrato arenoso, enriquecido com matéria orgânica e mantido úmido, para germinar em 30 a 60 dias. As mudas devem ser formadas na sombra e alcançam cerca de 30 cm em 10 a 12 meses. Ou seja, nos primeiros anos a planta apresenta lento crescimento, mas recompensa posteriormente, quando inicia a produção de frutos, nas mudas com entre 3 a 4 anos de idade.
Ao transplantar as mudas para o local definitivo, considere o espaçamento ideal entre plantas de 5 a 6 metros em todas as direções, o que permite que cresçam sem competição por recursos. Prepare o solo com antecedência, cerca de dois meses antes do plantio, fazendo buracos de 50 cm de profundidade e largura. A composição do solo é crucial: adicione à terra retirada do buraco uma generosa proporção de material orgânico, como composto ou esterco bem curtido. Não esqueça de ajustar o pH do solo, conforme a análise e recomendação agronômica. O plantio é mais bem-sucedido se feito entre outubro e novembro, quando as condições climáticas são geralmente mais favoráveis. Após plantar, regue generosamente para ajudar a estabelecer a planta. Se o clima não ajudar com chuvas regulares, continue a regar a cada quinze dias para manter a umidade necessária para o desenvolvimento da Grumixama nos primeiros meses. Com essas práticas, a Grumixama tem tudo para prosperar em seu jardim.



Cabeludinha
Myrciaria glazioviana
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Myrciaria glazioviana
Sinonímia: Eugenia cabelludo, Paramyrciaria glazioviana
Nome Popular: Cabeludinha
Outros Nomes: Vassourinha-da-praia, Peludinha, Guapirijuba, Jabuticaba-amarela, Café-cabeludo, Vassourinha-da-praia, Fruta-cabeluda.
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Origem: América do Sul, Brasil
Clima: Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 1.8 a 2.4 metros, 2.4 a 3.0 metros, 3.6 a 4.7 metros
Família: Myrtaceae
Planta medicinal
Indicações: Escorbuto, Anemia ferropriva, Prisão de ventre, Infecções, Aterosclerose, Coágulos sanguíneos, Infarto e Derrame.
Propriedades: Anti-inflamatório, Nutracêutico, Reduz o colesterol ruim, Analgésico, Antiacetilcolinesterase, Hepatoprotetora e Antimicrobiana
Partes Utilizadas: Frutos
A cabeludinha é um arbusto ou arvoreta, frutífero, nativo do sudeste, sul e nordeste do Brasil, onde ocorre geralmente nas áreas de Mata Atlântica, em domínios de floresta ombrófila e restinga. Atinge geralmente 2 a 4 metros de altura e é bastante ramificada, com copa densa e ramos que inicialmente são eretos, mas se arqueiam e quase tocam o chão. As folhas são elípticas, cartáceas, opostas, acuminadas, pubescentes na face abaxial e de cor verde-escura. Floresce no outono, em inflorescências do tipo glomérulo, axilares, com longos estames brancos que conferem às flores um delicado aspecto de pompom. As flores ainda são hermafroditas, nectaríferas e indicadas para a formação de pastagem apícola.
Inflorescências.
O fruto que se segue amadurece na primavera e é uma baga globosa, com casca grossa, tomentosa (recoberta de pelos) e de cor amarela quando madura. A polpa é fina, delicada, suculenta, translúcida, agradável, doce e levemente ácida, enquanto a casca e as sementes possuem sabor adstringente. O fruto envolve uma a duas sementes grandes, com formato de feijão e cor marrom.
É bastante raro encontrar os frutos de cabeludinha à venda, uma vez que eles são bastante semelhantes aos de jabuticaba, perecendo muito rápido e consequentemente perdendo valor. No entanto, é uma espécie tradicional em pomares domésticos, onde podemos apreciar seus frutos frescos colhidos direto do pé. Os frutos, além de saborosos, são ricos em vitamina C e geralmente são consumidos in natura. Como os frutinhos são atrativos à fauna silvestre, a cabeludinha é uma excelente escolha em projetos de recuperação de áreas degradadas. Além disso, a copa elegante, cheia e de folhagem verde escura, unida à floração e frutificação atraentes, a tornam uma opção bastante ornamental para o paisagismo. Também pode ser conduzida em vasos e assim decorar varandas, pátios e terraços.
Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, em solo fértil, profundo, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente nos primeiros anos de implantação. Aprecia o clima ameno a quente, com boa disponibilidade hídrica ao longo do ano. Dispensa podas de formação, mas pode-se efetuar podas para controlar seu crescimento e facilitar a colheita ou ainda para lhe imprimir um formato de arvoreta, eliminando o excesso de ramos que surgem na base. Fertilize a cada 3 meses com esterco curtido e adubos próprios para árvores frutíferas, conforme o porte da planta e na projeção da copa. Não tolera geadas ou estiagem prolongada, preferindo elevada umidade do ar. Multiplica-se por sementes, colhidas de frutos maduros e despolpados, plantados em até duas semanas, pois perdem rapidamente a capacidade germinativa. Mantenha em substrato úmido e aguarde de 25 a 50 dias pela germinação. A cabeludinha tem rápido crescimento e pode frutificar já no segundo ano após o plantio.



Cerejeira-anã
Eugenia mattosii
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Eugenia mattosii
Nome Popular: Cerejeira-anã
Outros Nomes: Cereja-de-mattos, Pitanguinha-de-mattos, Cerejinha-de-mattos, Cambuí-rasteiro, Cambuím, Uvaia, Cambuí-peba, Pitanga-anã, Mini-pitanga, Cambuí-peva, Pitangueira-anã
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América do Sul, Brasil
Clima: Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 0.4 a 0.6 metros, 0.6 a 0.9 metros, 0.9 a 1.2 metros
Família: Myrtaceae
A cerejeira-anã é um arbusto perenifólio, lenhoso, frutífero e ornamental, nativo da Mata Atlântica nos estados de Santa Catarina e Paraná. Apresenta uma copa densa e arredondada, sendo muito ramificada, desde a base. O tronco é de cor marrom-escuro e é fissurado na vertical. As folhas são simples, pequenas, oblongas, elípticas a espatuladas, opostas, coriáceas, brilhantes, de cor vermelha quando jovens e verde quando maduras, o que causa um efeito acobreado no arbusto em sua fase de crescimento. As inflorescências surgem na primavera e são axilares, do tipo cimeira, reunindo grupos de 2 a 8 flores cada. As flores são hermafroditas, de cor branca, com longos e numerosos estames e levemente perfumadas. Produzem abundante néctar e pólen, e são muito atrativas para abelhas nativas e outros polinizadores.
Os frutos se formam no verão, são do tipo baga, pequenos, esféricos, vermelhos, com cálice persistente, polpa carnosa e de sabor adocicado, contendo uma ou duas sementes por fruto. Seu aroma e sabor lembram o da pitanga (Eugenia uniflora) e da cereja-do-rio-grande (Eugenia involucrata). Pode ser consumido in natura ou como sucos refrescantes, geleias e sorvetes. Além disso, o fruto da cerejeira-anã atrai muitas espécies de aves. No geral, tanto as flores quanto os frutos surgem de forma mais intensa quando a planta é cultivada no Sul do país, isto é, em regiões com estações mais marcadas.
No jardim, a cerejeira-anã é um verdadeiro curinga, substituindo com excelência arbustos exóticos como o Buxinho (Buxus sempervirens) e o Ligustrinho (Ligustrum sinense), além do diferencial de produzir frutos comestíveis. Ela pode ser utilizada isolada, em grupos, renques ou em conjunto com outras plantas, especialmente aquelas que contrastem com sua textura fina e tons de verde acobreados. Tolera muito bem a poda e tem uma folhagem densa e resistente, sendo indicada para topiarias, bordaduras e cercas-vivas formais e informais. Assim podemos, por exemplo, demarcar a entrada do jardim ou mesmo contornar um muro.
Ademais, é uma espécie ameaçada de extinção e com um importante papel ecológico, de atrair polinizadores e alimentar a avifauna, tornando seu uso ainda mais importante no paisagismo brasileiro. É rara em cultivo, trazendo originalidade aos projetos. Também pode ser plantada em vasos ou jardineiras e assim, utilizada para adornar pátios e varandas ensolaradas. Suas folhas pequenas e o caule fissurado e lenhoso, a tornam uma espécie de eleição para a arte do bonsai. É uma espécie de fácil cultivo, crescimento lento e manutenção simples, que envolve podas de limpeza, formação e adubação.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solos férteis, drenáveis e ricos em matéria orgânica. No jardim, depois de bem estabelecida, o ideal é que as regas sejam suplementares. É resistente a geadas (-3ºC) e a curtos períodos de estiagem. No entanto, é capaz de se adaptar a diferentes condições climáticas, podendo ser cultivado desde o nível do mar até grandes altitudes (1000 m), de norte a sul do Brasil. O ideal é fertilizá-la no início da primavera e durante o verão, com adubos orgânicos, como farinha de ossos e esterco de aves bem curtido, ou adubos minerais, como fórmulas NPK próprias para frutíferas, seguindo sempre as recomendações do fabricante.
Lembre-se de regar a planta antes da fertilização, a fim de evitar queimaduras nas raízes. A cerejeira-anã pode ser multiplicada facilmente por sementes ou estaquia dos ramos jovens. Para o plantio, realize a semeadura logo após a colheita dos frutos, uma vez que suas sementes são recalcitrantes e perdem o poder germinativo rapidamente. A germinação é desuniforme e ocorre entre 40 e 90 dias. Faça o beliscamento dos ponteiros das mudas jovens estimulando seu adensamento. As cerejeiras-anãs iniciam a frutificação cerca de 2 ou 3 anos após o plantio.



Mirtilo-olho-de-coelho
Vaccinium virgatum
Nome Botânico:
Vaccinium virgatum
Sinonímia: Cyanococcus amoenus, Cyanococcus virgatus, Vaccinium amoenum, Vaccinium ashei, Vaccinium corymbosum, Vaccinium parviflorum
Nome Popular: Mirtilo-olho-de-coelho
Outros Nomes: Mirtilo-de-flor-pequena, Mirtilo-preto-do-sul, Mirtilo
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Origem: América do Norte, Estados Unidos
Clima: Mediterrâneo, Subtropical, Temperado
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 1.2 a 1.8 metros
Família: Ericaceae
Planta medicinal
Indicações: Dor
Propriedades: Analgésica
Partes Utilizadas: Frutos
O mirtilo-olho-de-coelho (Vaccinium virgatum) é um arbusto frutífero, ornamental, hermafrodita e decíduo. O nome curioso dessa espécie, se deve ao fato de que os frutos ficam rosados antes da maturação completa, lembrando os olhos dos coelhos brancos. Ele cresce naturalmente em pântanos abertos, brejos, margens arenosas de lagos e riachos e bosques montanhosos do leste e sudeste dos Estados Unidos, da região que compreende os estados da Carolina do Norte até o Texas. Apresenta vários caules finos, eretos, ramificados, lenhosos, de casca descamante e marrom escura. Suas folhas são estreitas, ovaladas a elípticas, dispostas em espiral, com nervuras destacadas e sustentadas por pecíolos curtos.
As flores do mirtilo-olho-de-coelho surgem entre o final do inverno e início da primavera, em inflorescências do tipo rácemo, axilares. Elas são brancas ou levemente rosadas e em formato de sino. É interessante notar, que os melhores polinizadores para essa espécie são as abelhas solitárias e mamangavas, enquanto abelhas comuns e carpinteiras tendem a ser prejudiciais, roubando néctar ou cortando a flores, sem polinizá-las.
Os frutos formados são do tipo baga e a maturação ocorre entre a primavera e verão. Eles são globosos, com cerca de 5mm de diâmetro, de cor azul-escuro a preto quando maduros e recobertos por uma fina camada de cera. São doces e deliciosos e podem ser consumidos in natura, ou na forma de molhos, geléias, licores e xaropes, além de serem muito usados em pães, muffins, panquecas e tortas, assim como vemos nos filmes norte-americanos. As principais cultivares dessa espécie em plantações comerciais e experimentais no Brasil são a ‘Bluegem’, ‘Briteblue’ e ‘Woodard’.
Um arbusto frutífero perfeito para os jardins funcionais! Ao mesmo tempo em que traz a graciosidade das flores e os frutos delicados, também adiciona uma sazonalidade marcante ao jardim. Isso ocorre devido à mudança na folhagem ao longo ano. Na primavera e verão teremos um arbusto enfolhado e verdinho, enquanto no outono ele se vestirá de laranja e vermelho para logo em seguida perder as folhas no inverno. Use-o isolado, em grupos, renques (como cerca viva) ou em conjunto com outras plantas, em áreas ensolaradas ou que recebem sol direto por pelo menos 4 horas ao dia.
O mirtilo-olho-de-coelho não gosta de ser mudado de lugar, assim, se for cultivar em vasos, escolha bem o local e evite girar ou mover a planta. No geral é uma espécie de fácil cultivo e rápido crescimento. Para um aspecto mais adensado, ele pode receber podas anuais de formação. No entanto, caso seu objetivo seja a frutificação, prefira um formato mais natural efetuando podas de limpeza, arejamento e renovação. No Brasil, o cultivo de mirtilos-olho-de-coelho ainda é pouco comum, além disso, ele necessita de um período de frio para um bom desenvolvimento e frutificação, sendo, portanto, mais encontrado na região Sul do país.
Deve ser cultivado sob sol pleno ou meia-sombra, em solos ácidos (com pH em torno de 4.5 a 5.5), livres de calcário, drenáveis e ricos em matéria orgânica. Regue regularmente as plantas envasadas ou no primeiro ano após o plantio e sempre que o solo estiver superficialmente seco, evitando encharcamento. Depois de bem estabelecidas, o ideal é que as regas sejam suplementares de forma a contornar períodos de estiagem. Utilize mulching para manter as raízes sempre úmidas, como casca pinus, palha ou folhas secas. É resistente a geadas e baixas temperaturas quando mantido com cobertura morta, suportando até -12ºC.
A fertilização deve ser feita na primavera e verão, com adubos orgânicos e minerais próprios para árvores frutíferas. Apesar de hermafrodita, o mirtilo-olho-de-coelho necessita de polinização cruzada para uma boa frutificação, portanto utilize pelo menos duas plantas de cultivares diferentes no seu jardim ou pomar. Multiplica-se por sementes postas a germinar no final do inverno, estaquia de ramos semilenhosos no verão e alporquia no final do verão e início do outono. Os pomares comerciais podem ser formados por mudas advindas de micropropagação. A frutificação se inicia em 1 a 2 anos após o plantio.


Fruta-do-sabiá
Iochroma arborescens
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Iochroma arborescens
Sinonímia: Acnistus arborescens, Acnistus aggregatus, Acnistus benthamii, Acnistus campanulatus, Acnistus cauliflorus, Acnistus cerasus, Acnistus floccosus, Acnistus floribundus, Acnistus geminifolius, Acnistus grandiflorus, Acnistus guayaquilensis, Acnistus lehmannii, Acnistus macrophyllus, Acnistus miersii, Acnistus plumieri, Acnistus pringlei, Acnistus punctatus, Acnistus ramiflorus, Acnistus sideroxyloides, Acnistus virgatus, Atropa arborea, Atropa arborescens, Atropa sideroxyloides, Atropa solanacea, Brachistus oblongifolius, Brachistus physocalycius, Brachistus riparius, Capsicum oblongifolium, Cestrum campanulatum, Cestrum cauliflorum, Cestrum kohauti, Cestrum macrostemon, Dunalia arborescens, Dunalia campanulata, Dunalia macrophylla, Ephaiola odorata, Eplateia arborescens, Fregirardia riparia, Lycium aggregatum, Lycium arborescens, Lycium grandifolium, Lycium guayaquilense, Lycium macrophyllum, Lycium ovale, Pederlea aggregata, Pederlea arborescens, Pederlea cestroides, Brachistus physocalycius, Brachistus riparius, Capsicum oblongifolium, Cestrum campanulatum, Cestrum cauliflorum, Cestrum kohauti, Cestrum macrostemon, Dunalia arborescens, Dunalia campanulata, Dunalia macrophylla, Ephaiola odorata, Eplateia arborescens, Fregirardia riparia, Lycium aggregatum, Lycium arborescens, Lycium grandifolium, Lycium guayaquilense, Lycium macrophyllum, Lycium ovale, Pederlea aggregata, Pederlea arborescens, Pederlea cestroides
Nome Popular: Fruta-do-sabiá
Outros Nomes: Fruta-de-sabiá, Marianeira, Espora-de-galo, Marinera, Fumo-indígena, Tabaco-do-diabo
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Origem: América Central e Insular, América do Norte, América do Sul, Antilhas, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Porto Rico, Suriname, Venezuela
Clima: Equatorial, Oceânico, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 9.0 a 12 metros
Família: Solanaceae
Cuidado
Em excesso os frutos podem provocar diarréia. Suas folhas encerram substâncias psicoativas, que podem agir como narcóticas e depressoras do sistema nervoso central. O uso como medicinal deve ter acompanhamento médico.
Planta medicinal
Indicações: Tratamento do Câncer, Contusões e rupturas de ligamentos, Abcessos, Bronquite
Propriedades: Mata células cancerígenas, Antiinflamatório
Partes Utilizadas: Extratos e macerados das folhas
A fruta-do-sabiá (Iochroma arborescens, anteriormente Acnistus arborescens) é uma árvore de pequeno porte de floração e frutificação ornamentais, com um importante papel ecológico. Seus frutos servem de alimento para uma grande variedade de aves silvestres, entre estes o sabiá (Turdus rufiventris). Atinge porte arbustivo ou de arvoreta, dificilmente ultrapassando 10 metros de altura. Apresenta ramos finos, ramificados e de madeira leve e frágil. As folhas são simples, alternas, elípticas a lanceoladas, com a página superior glabra e a inferior ligeiramente tomentosa. As flores podem surgir o ano todo, mas com mais intensidade na primavera e verão. Com formato tubular e campanulada, perfumadas e brancas, elas se reúnem em inflorescências do tipo fascículo, ao longo dos ramos maduros, nos espaços onde não há folhas.
A polinização se dá por uma ampla variedade de insetos e aves, desde moscas a besouros, mariposas, abelhas e beija-flores. Os frutos que se formam em seguida são bagas globosas, suculentas, numerosas e pequenas, de cor laranja quando maduras, muito brilhantes. Eles são atrativos para os passarinhos, que fazem a maior farra durante os períodos de frutificação. Entre as espécies silvestres comumente vistas estão os sabiás, tico-ticos-rei, saíras, tiês, sanhaços, gaturamos, juritis, chocões-barrados, tucanos e bem-te-vis. Os frutos também alimentam uma diversidade de peixes quando a árvore é plantada próximo a cursos d’água como rios e lagos. As sementes são discóides e abundantes, de cor parda clara, que lembram as de outras espécies solanáceas como tomate ou pimenta.
Uma espécie de estimado valor ecológico, a fruta-do-sabiá é de característica pioneira e deve estar presente em projetos de reflorestamento em regiões de mata-atlântica. Por alimentar espécies aquáticas, sua utilização é interessante também na recuperação de matas ciliares. No jardim residencial é indicada para ornamentação e para atrair as aves silvestres, servindo como um verdadeiro oásis para muitas espécies. De rápido crescimento e baixa manutenção, pode ser conduzida como arvoreta ou arbusto e adapta-se a diferentes locais, até mesmo em vasos.
Além de alimentar os pássaros, os frutos da fruta-do-sabiá também podem ser consumidos in natura, na forma de licores, geléias, sucos, sorvetes e caldas. Diz-se que eles são adocicados e dão um saborosíssimo molho agridoce.
Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, em diversos tipos de solo, preferencialmente férteis e profundos. Irrigue regularmente no primeiro ano após o plantio. Depois de bem estabelecida torna-se resistente à estiagem, embora nessas condições frutifica em menor quantidade. Tolera geadas e a salinidade de regiões litorâneas. Multiplica-se facilmente por sementes e atinge a maturidade em menos de um ano, já iniciando a sua frutificação.


Lichia
Litchi chinensis
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Litchi chinensis
Sinonímia: Scytalia chinensis, Dimocarpus litchi, Nephelium litchi, Corvinia litschi, Euphoria didyma, Euphoria sinensis, Nephelium chinense
Nome Popular: Lichia
Outros Nomes: Lecheira, Licheira, Lichieira, Uruvaia, Morango-de-casca-grossa, Uva-chinesa, Líchia
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: Ásia, China, Filipinas, Índia, Indonésia, Taiwan, Vietnã
Clima: Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 9.0 a 12 metros, acima de 12 metros
Família: Sapindaceae
Cuidado
Os frutos de lichia, principalmente os que ainda não estão bem maduros, possuem um efeito hipoglicemiante, que é agravado se consumido em grandes quantidades e de estomago vazio. Crianças são mais sensíveis a estes efeitos. Assim, há que se ter cuidado de oferecer apenas para crianças maiores, como sobremesa, após alguns refeição e em pequenas quantidades.
A lichia (Litchi chinensis) é uma árvore frutífera, perenifólia e ornamental, originária de regiões tropicais da Ásia e conhecida por seus frutos delicados e saborosos, que lembram morangos na aparência. De crescimento lento, atinge um porte arbóreo médio, entre 15 e 20 metros de altura. Sua copa é larga, com tronco curto, e ramagem ramificada, um tanto curvada para baixo. As folhas são opostas, pinadas, com dois a quatro pares de folíolos coriáceos, elípticos, inicialmente vermelho-acobreados e verde brilhantes quando maduros.
Floresce em cachos na primavera, despontando numerosas flores pequenas, perfumadas, de cor branca, amarela ou verde. Após a polinização, que é feita por insetos, se formam no verão os característicos frutos, pequenos, com formato ovóide ou de coração, com uma casca áspera e rugosa e de cor rosa a avermelhada. A polpa é translúcida, suculenta, perolada e doce, com um delicioso aroma. Ela protege uma semente marrom escura e não comestível. Há três subespécies da planta, a Lichia chinensis chinensis, que é a mais difundida e cultivada, a L. chinensis javanensis, que é cultivada apenas na Malásia e Indonésia e a L. chinensis philippinensis, de frutos não comestíveis.
Uma excelente árvore para o pomar doméstico, a lichia, além de produzir frutos delicados e saborosos, ainda é ornamental e fornece farta sombra. O fruto pode ser consumido in natura, preservando assim todo o seu perfume, ou desidratado como passa, assim como em compotas para consumir ao longo do ano todo. Riquíssimo em vitamina C, entra em receitas de sobremesas, sorvetes, iogurtes, geléias, licores e até caipirinha.
Rapidamente após a colheita os frutinhos perdem a cor vermelha vibrante e tornam-se amarronzados, sem prejuízo do sabor. É rústica e seu manejo não é complicado. Inicialmente é importante imprimir-lhes podas de formação, que facilitam a iluminação da copa, assim como a colheita posterior dos frutos. Após isso, podas de limpeza, que removem ramos doentes e mortos, mantém a planta sadia e produtiva. Uma poda drástica, pode renovar a produtividade de árvores velhas.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, profundo, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado nos primeiros anos de implantação. Prefere climas marcados, subtropicais a tropicais, com um longo verão chuvoso e algum período frio no inverno, que é importante para estimular a floração e frutificação na próxima estação. No entanto, não tolera geadas ou frio intenso, abaixo de −4°C, principalmente as plantas jovens, que são são bastante sensíveis.
Apesar de que aprecia irrigações frequentes, a lichieira não se sujeita a encharcamentos, que rapidamente lhe afetam as raízes, portanto não é apropriada para solos excessivamente úmidos, assim como salinos. Da mesma forma, não se adapta em áreas sujeitas a estiagens. Multiplica-se por sementes, mas mais comumente por alporquia e enxertia, para a preservação das características da variedade mãe.



Jaca
Artocarpus heterophyllus
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Artocarpus heterophyllus
Sinonímia: Artocarpus integrifolius, Artocarpus integer, Artocarpus brasiliensis, Artocarpus maximus, Artocarpus nanca, Artocarpus philippensis
Nome Popular: Jaca
Outros Nomes: Jaqueira
Luminosidade: Sol Pleno
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: acima de 12 metros
Família: Moraceae
Cuidado
As sementes da jaca possuem toxinas, que são inativadas pelo calor. Assim, devem ser consumidas apenas cozidas ou tostadas. A jaqueira possui grande capacidade de dispersão, tornando-se invasiva em determinadas situações.
Planta medicinal
Indicações: Tosse, Afecções Respiratórias, Asma, Diarréias, Ferimentos, Retenção de líquidos
Propriedades: Expectorante, antiasmática, antidiarréica, cicatrizante, diurética
Partes Utilizadas: Frutos, Seiva
A jaca é o fruto da jaqueira (Artocarpus heterophyllus), uma árvore frutífera cauliflora e monóica, originária da Índia, mas amplamente distribuída pelas diversas regiões tropicais do planeta. Ela apresenta grande porte, alcançando facilmente 30 metros de altura. Sua copa é piramidal a arredondada, densa e com ramos fortes, calibrosos, de seiva lactescente. As folhas são comumente simples, sendo lobadas apenas nas plantas jovens. Elas podem ser ovais, oblongas ou elípticas, e são inteiras, brilhantes, curto-pecioladas, com nervuras bem marcadas e textura coriácea.
As flores masculinas e femininas surgem em inflorescências separadas, diretamente do caule e tem pouca importância ornamental. O fruto é do tipo sincarpo, composto pela união de vários carpelos. Ele tem formado arredondado e um tanto alongado, com casca recoberta de saliências e é bastante volumoso e pesado, podendo chegar a 40 quilos.
Jaqueira.
Desde a floração, eles levam de 3 a 8 meses para atingir a maturação completa, que se evidencia pela alteração da cor, de verde claro para amarelo pardacento. O fruto passa a ceder à pressão dos dedos e a leves batidas apresenta um som timpânico. A partir do amadurecimento ele se deteriora rapidamente. Esse fator prejudica o transporte, armazenamento e conservação das jacas nos centros de distribuição e comercialização, o que a torna o fruto caro e um tanto difícil de encontrar em áreas não produtoras.
Há duas variedades principais de jaca. A jaca-mole, de frutos menores, com carpelos pequenos, polpa doce, macia, delicada e ideal para ser consumido in natura; e a jaca-dura, de frutos grandes, com bagos firmes, não tão doces, quase crocantes, mas igualmente deliciosos. Há ainda a jaca-manteiga, que possui uma consistência intermediária e também é doce.
No paisagismo a jaqueira se destaca, tanto por ser uma árvore imponente, como pelos curiosos frutos que brotam diretamente do tronco. No entanto há que se atentar de projetar a sua utilização para o alcance do campo de visão, mas longe de passeios, caminhos, casas, áreas de acesso e estacionamento de automóveis, visto que a queda dos pesados frutos pode provocar acidentes graves e perdas materiais importantes.
A jaqueira necessita podas de limpeza apenas, mantendo o interior da planta livre de ramos fracos, mortos ou doentes e assim garantindo uma boa iluminação da copa. Por sua folhagem bonita, as plantas jovens podem ser plantadas em vasos e cultivadas em pátios, terraços e serem movidas para interiores durante a estação fria. No entanto, com o passar do tempo, há a necessidade de plantá-la diretamente no solo para que se desenvolva plenamente.
O fruto ao corte.
É uma espécie interessante para se ter no pomar doméstico, pois os seus frutos saborosos e perfumados podem ser consumidos de muitas formas diferentes. O fruto ainda verde, serve como vegetal, podendo ser aproveitado em cozidos diversos. Ele é especialmente interessante na substituição da carne de frango ou porco, na dieta vegetariana, por se assemelhar tanto no sabor como na textura e assim compor uma infinidade de preparações.
A jaca madura é consumido ao natural, ou na forma de licores, geléias, etc. Diz-se que o seu sabor é tropical e o aroma, percebido à distância, lembra abacaxi, maçã, manga e banana. A polpa é fibrosa, pegajosa e rica amido, além de vitaminas e minerais. Até mesmo as sementes, depois de cozidas ou tostadas, são comestíveis, com sabor que lembra castanhas.
A madeira da jaqueira é de boa qualidade e resistente à cupins, sendo aproveitada no fabrico de móveis, instrumentos musicais e barcos, principalmente na Ásia, onde seu uso é bem tradicional.
Deve ser cultivada inicialmente sob meia sombra, e gradativamente ir recebendo mais sol. Aprecia a alta umidade do ar e bom regime de chuvas, típicos dos trópicos, para um bom desenvolvimento e produção. No entanto é possível crescê-la em clima semi-árido, desde que seja provida irrigação. É capaz de crescer também sob clima subtropical, mas necessita ser protegida das geadas, principalmente nos primeiros anos. Ainda assim, dificilmente alcançará grande porte e elevada produtividade se comparado a plantas crescidas sob clima tropical.
Fertilize anualmente com adubos próprios para árvores frutíferas. Multiplica-se por sementes, frescas, com no máximo um mês após a colheita, despolpadas e postas a germinar em substrato mantido úmido. A germinação pode levar de 3 semanas a 2 meses para se completar. Transplante as pequenas mudas para saquinhos individuais quando estas tiverem quatro folhas completas. Permite também a multiplicação por alporquia.


Araçá-boi
Eugenia stipitata
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Eugenia stipitata
Nome Popular: Araçá-boi
Outros Nomes: Araça-mark, Planta-iogurte, Pé-de-iogurte, Goiaba-amazônica, Ubá-caxi, Araguassuba, Araçá-manga, Araçá-açu
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América Central e Insular, América do Sul, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Peru
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 2.4 a 3.0 metros, 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros
Família: Myrtaceae
O araçá-boi (Eugenia stipitata) é uma planta arbustiva, nativa da região amazônica, ainda pouco conhecida no Brasil e no mundo, mas de frutos saborosos e alta produtividade. Da mesma família da jabuticaba e da pitanga, o araçá-boi é bastante ramificado e frondoso. Suas folhas são simples, opostas, pecioladas, de formato elíptico a lanceolado, acuminadas e de cor verde-escura.
As inflorescências são do tipo tirso (rácimo de cimeiras), a apresentam delicadas flores brancas, hermafroditas, com quatro pétalas cada e muitos estames longos. Após a polinização se formam os frutos, que são do tipo baga, globosos, de tamanho grande, suculentos, perfumados e ácidos, de casca fina e amarela quando madura. Cada fruto pode pesar de 200 a 400 gramas e conter de 4 a 12 sementes.
Os frutos do araçá-boi tem um aroma delicioso e são macios, com uma rica polpa. No entanto, devido à elevada acidez da fruta, não é muito consumido in natura. Apesar disso, rende deliciosas vitaminas e sucos, preparados com água, leite ou iogurte e é muito visado para a confecção de geleias, compotas, sorvetes, mousses, picolés e sobremesas em geral. Por ser muito perecível, é difícil transportar ou armazenar o fruto fresco. Assim, torna-se uma raridade em pontos de venda. Já a polpa congelada é produto muito mais fácil de encontrar e um produto de exportação crescente.
A flor do araçá-boi evidenciando os numerosos estames. Foto de Reinaldo Aguilar
O araçá-boi é um arbusto tropical perfeito para pequenos ou grandes pomares domésticos. De baixa manutenção, o araçá-boi produz cerca de 4 a 5 vezes por ano, se estiver em condições favoráveis. É rústico e dispensa manejos especiais, mas há que se cuidar de recolher os frutos caídos para evitar a propagação e desenvolvimento da mosca-das-frutas, praga à qual é bastante suscetível. Por seu pequeno porte também pode ser plantado em vasos e jardineiras e assim se encaixar em pequenos espaços urbanos.
Deve ser cultivado sob sol pleno, em solos preferencialmente férteis, profundos e bem drenáveis, irrigados regularmente no primeiro ano de implantação ou em caso de estiagem. Apesar de frutificar melhor sob essas condições o araçá-boi se desenvolve bem em solos pobres e ácidos, desde que não ocorra seca prolongada. Aprecia o clima tropical úmido e não tolera geadas ou frio intenso, abaixo de -3°C. Sensível à ferrugem e antracnose.
Multiplica-se facilmente por sementes, despolpadas e submetidas à quebra de dormência com remoção parcial ou total da casca (tegumento), o que lhes confere maior uniformidade e melhor taxa de germinação, encurtando a emergência de 3 a 4 meses para 50 dias ou menos. As sementes devem ser postas a germinar ainda frescas, pois sementes guardadas tem seu poder germinativo reduzido e dormência aumentada. É muito precoce e frutifica logo após um a dois anos do plantio. Irrigue a muda em desenvolvimento e evite que o mato cresça e sufoque a mesma.


Caqui
Diospyros kaki
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Diospyros kaki
Nome Popular: Caqui
Outros Nomes: Caquizeiro, Dióspiro, Diospireiro
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: Ásia, Birmânia, China, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Japão, Nepal
Clima: Mediterrâneo, Subtropical, Temperado
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 9.0 a 12 metros
Família: Ebenaceae
Cuidado
Não se deve consumir o caqui de estomago vazio ou em grandes quantidades, pois devido ao seu alto teor de tanino ele pode provocar fitobezoares no aparelho digestivo. Da mesma forma, deve-se evitar a manutenção da árvore em pastagens para equinos, que rapidamente tomam gosto pela fruta e ao ingerir muitos frutos podem ficar seriamente doentes.
O caquizeiro (Diospyros kaki) é uma árvore de origem asiática, dióica, decídua e mundialmente apreciada por seus frutos doces e saborosos, os caquis. O próprio nome botânico Diospyros, já dá uma boa idéia de que estamos falando de uma fruta deliciosa. A palavra vem do grego antigo e significa “alimento de Zeus”, uma alusão ao divino sabor dessa fruta. Em Portugal, é conhecida por dióspiro, e a árvore, por diospireiro.
Seu tronco é tortuoso e a casca bastante rugosa, com raízes profundas e fortes. Se deixada a crescer livremente, atinge 15 metros de altura. No entanto, em pomares, sejam comerciais ou domésticos, não convém que se deixe crescer tanto, o que dificulta a colheita. As folhas são largas, lanceoladas e rígidas, e apresentam um verde terroso mais claro ou mais escuro, que adquire belas tonalidades de bronze e vermelho durante o outono, logo antes de caírem.
As flores são pequenas, de cor creme ou rosadas, tetrâmeras e podem ser femininas, masculinas ou hermafroditas. A floração ocorre na primavera e pode acontecer de a expressão sexual de uma árvore se alterar a cada ano, com uma proporção maior de flores masculinas ou hermafroditas por exemplo.
Os frutos são bagas, e podem apresentar sementes, quando polinizados, ou ausência total de sementes, quando formados por partenocarpia. Eles podem ser globosos, ovóides ou achatados, amarelos a avermelhados, de casca fina e polpa firme e opaca, ou mole, gelatinosa e translúcida. Os frutos tornam-se maduros no final do verão e início do outono, mas algumas colheitas podem se estender um pouco mais, de acordo com a cultivar. Há diferentes variedades de caquizeiros, que geralmente são classificados quanto ao teor de tanino nos frutos que podem ser:
-
Sibugaki – Taninosos: São frutos que mesmo estando maduros, apresentam alto teor de taninos, o que lhes confere uma forte adstringência na boca. A sensação de “amarra a língua” é comumente descrita. A polpa comumente é vermelha. Estes frutos podem ser consumidos sem problema, desde que passem por um processo de destanização, com álcool etílico, vinagre ou gás carbônico, durante mais ou menos 4 dias, o que os torna doces. Ex.: Kakimel, Pomelo, Coral
-
Amagaki – Doces (ou não taninosos): De polpa amarela ou alaranjada, são os caquis que podem ser consumidos ainda firmes, e não apresentam adstringência. O tipo mais conhecido deste grupo é o Fuyu.
-
Variáveis – Aqui entra o caqui-café e o caqui-chocolate. Os frutos com sementes são doces e não taninosos, além de apresentarem a polpa mais ou menos escura, com raios de cor marrom, variando com a quantidade de sementes. Os frutos formados sem sementes são taninosos, de polpa amarela, e precisam passar pela destanização como os frutos do tipo sibugaki. Ex. Rama-forte, Giombo e Kyoto.
Pomar de caquizeiro, evidenciando o formato de taça que deve ser buscado neste tipo de cultivo, além do escoramento dos ramos, para evitar que se quebrem ou toquem o chão durante a frutificação. Foto de Forest & Kim Starr
Os caquis são na maior parte das vezes consumidos in natura, mas com eles pode-se fazer uma infinidade de preparações culinárias. De frutos secos (do tipo passa) a sucos, geléias, licores, pudins, sorvetes, bolos, molhos (do tipo chutney), e até mesmo um excelente vinagre. São ricos em betacaroteno, vitamina C e sais minerais, mas também são ricos em açúcar e taninos e por isso seu consumo deve ser moderado.
O caqui é uma árvore excelente para o jardim ou pomar doméstico, pois além de prover abundância de frutos, ainda produz sombra farta no verão e permite a passagem da luz solar no inverno. O caquizeiro avidamente procurado pela avifauna silvestre, seja pela ampla oferta de frutos, seja para a produção de ninhos.
Sua manutenção é baixa, e na maior parte das vezes é bastante resistente a pragas e doenças. Exige apenas podas de formação e frutificação, eliminando-se ramos altos, velhos e doentes, abrindo-se a copa para que possa ficar bem arejada e ensolarada. O raleio dos frutinhos em formação também é interessante, pois permite frutos maiores e evita o esgotamento da árvore.
Em plantios comerciais deve-se seguir as recomendações de poda, tutoramento e escoramento dos ramos, para além de uma ótima produtividade, uma boa sanidade no pomar. Curiosidade: a madeira do caquizeiro é semelhante ao ébano, de cor escura, grao fino e dura. É difícil de ser trabalhada, mas produz objetos de qualidade, de tacos de golfe a instrumentos musicais e utensílios domésticos.
O caquizeiro deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente durante o período de crescimento e frutificação. No inverno convém reduzir ou até mesmo suspender as regas. Aprecia fertilizações ricas em fósforo e micronutrientes, assim como calagem realizadas durante o período de dormência, no inverno.
Durante o período vegetativo, adubações ricas em nitrogênio e potássio são bem vindas, parceladas e sem excessos, caso contrário pode-se comprometer a frutificação. Apesar de se adaptar a diferentes climas e gostar do calor, o caquizeiro prefere o clima subtropical, pois necessita de um certo tempo de horas de frio para florescer e frutificar satisfatoriamente. Esse tempo varia de acordo com a cultivar. Assim, há cultivares mais próprias para o plantio no Rio Grande do Sul, outras para Santa Catarina, assim como Paraná ou São Paulo e Minas Gerais.
Multiplica-se principalmente por enxertia, de clones sabidamente produtivos, sobre porta-enxertos resistentes, originários de sementes e adaptados a solos mais secos e profundos ou a solos mais rasos e úmidos, sendo eles respectivamente Diospyros kaki e Diospyros virginiana. Frutifica após 4 a 7 anos do plantio.


Abacate
Persea americana
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Persea americana
Sinonímia: Laurus persea, Persea edulis, Persea floccosa, Persea gigantea, Persea gratissima, Persea leiogyna, Persea nubigena, Persea paucitriplinervia, Persea persea, Persea steyermarkii
Nome Popular: Abacate
Outros Nomes: Abacado, Abacateiro, Loiro-abacate, Louro-abacate, Pêra-abacate
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América Central e Insular, América do Norte, México
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: acima de 12 metros
Família: Lauraceae
O abacate é o fruto do abacateiro (Persea americana), uma árvore frutífera de grande porte, originária da América Central e do Sul. O abacateiro é classificado na família Lauraceae, a mesma dos louros e canelas, indicando sua origem em florestas tropicais úmidas. Seu cultivo comercial é extensivo em várias regiões do mundo, sendo um dos principais exportadores o México, seguido por países como República Dominicana, Peru, Colômbia e Indonésia. Esta árvore pode alcançar cerca de 20 metros de altura em condições ideais. Seu tronco, pouco reto, é capaz de atingir 1 metro de diâmetro aos 30 anos de idade. A casca do caule e ramos é notável por sua textura acinzentada, espessa, suberosa e recortada. Suas folhas são grandes, lustrosas, coriáceas, e de formato elíptico a lanceolado. Elas apresentar cor verde-escura das folhas, são glabra e brilhantes na página superior e pubescentes na inferior.
As flores do abacateiro são pequenas, hermafroditas e de cor verde clara. Elas se apresentam em grande quantidade, organizadas em inflorescências do tipo panícula. O fruto, uma drupa piriforme ou ovóide, é conhecido por sua casca que varia de cor verde a marrom e uma polpa cremosa, levemente adocicada, com uma coloração que varia de verde-oliva a creme. Esta polpa é notável por seu conteúdo de óleo, que varia entre 5 a 30%.
Os frutos do abacateiro são grandes, podendo pesar até um quilo, e contêm uma única semente, esférica e de tamanho considerável. Uma característica interessante do abacate é que ele deve ser colhido ainda verde e amadurece após a colheita, um processo que acontece lentamente. A polpa do abacate é versátil na culinária, podendo ser consumida crua, cozida ou em conservas. Ela é frequentemente usada em pratos salgados, como patês, guacamoles, sopas e saladas, mas também é deliciosa em preparações doces, esmagada ou batida com açúcar e leite, formando sobremesas ou vitaminas. O limão, frequentemente usado como tempero, acompanha o abacate tanto em preparações doces quanto salgadas. Além de ser calórico, o abacate é altamente nutritivo, rico em vitaminas E, A, B e gorduras monoinsaturadas. Seu óleo, semelhante ao azeite de oliva, também é extraído da polpa.
Além de seu valor nutricional, o abacate tem aplicações medicinais e na cosmiatria. Estudos sugerem que seu óleo pode ser benéfico para a pele e cabelo, e a fruta tem sido associada à redução do colesterol e melhoria da saúde cardiovascular. Historicamente, o abacate também tem sido utilizado em práticas culturais e rituais em suas regiões de origem.
Existem três principais subespécies de abacateiro, cada uma com características únicas de adaptação e produtividade: a guatemalense (P. nubigena guatemalensis), a antilhana (P. americana americana) e a mexicana (P. americana drymifolia). Essas subespécies são intercruzáveis, o que deu origem às variedades modernas de abacateiro, utilizadas nos pomares comerciais. As variedades modernas são subdivididas em grupos A e B, classificação baseada no padrão de abertura das flores. Para uma polinização eficaz, é essencial cultivar variedades dos dois grupos juntos, pois os órgãos sexuais masculinos e femininos amadurecem em períodos distintos.
É fácil entender a confusão entre o abacate e o avocado, sendo que eles são frequentemente considerados distintos, embora sejam da mesma espécie. A principal diferença entre eles reside em suas características físicas e origens. O abacate tradicional, muitas vezes chamado de abacate “Tipo B”, tende a ser maior, com uma casca mais suave e uma forma mais arredondada. Seu sabor é suave e sua textura mais aquosa. Por outro lado, o avocado, especificamente a variedade ‘Hass’, que é um exemplo popular do “Tipo A”, é menor, com uma casca mais grossa e rugosa, e uma forma mais ovalada. O avocado possui uma textura mais cremosa e um sabor mais rico com notas de nozes. Essas diferenças são o resultado de variações nas subespécies e nas condições de cultivo, com o avocado sendo mais comum nos Estados Unidos e o abacate tradicional sendo mais popular em outras regiões, como a América Latina.
No paisagismo, o abacateiro é valorizado por sua folhagem densa e sombra generosa, sendo uma escolha popular para parques e grandes jardins. No entanto, seu grande porte e sistema radicular extenso exigem consideração cuidadosa quanto ao local de plantio para evitar danos a estruturas próximas. É bastante comum o plantio em jardins residenciais domésticos, mas há que se ter muito cuidado pois sua madeira é frágil e sujeito a quebras durante as tempestades. As plantas jovens muitas vezes são conduzidas envasadas, como planta de interior, posicionadas próximo a janelas ensolaradas. Elas conferem uma atmosfera bastante elegante, e tem rápido crescimento inicial.
Para um cultivo bem-sucedido, o abacateiro deve ser plantado em local com sol pleno, em solo fértil, profundo, drenável e enriquecido com matéria orgânica. Como muitas espécies de árvores frutíferas tropicais, o abacateiro deve ser irrigado periodicamente. A árvore se adapta bem ao calor, mas as cultivares modernas têm demonstrado adaptabilidade a uma ampla faixa climática, incluindo grandes altitudes e resistência a geadas. Diferentes variedades permitem a colheita de abacates durante todo o ano.
Para abacateiros jovens, recomenda-se uma adubação balanceada, rica em nitrogênio, fósforo e potássio, além de micronutrientes como zinco, manganês e boro, que são essenciais para o desenvolvimento da planta. À medida que a árvore amadurece, a adubação deve ser ajustada, priorizando o potássio, que é fundamental para a qualidade e tamanho dos frutos. A aplicação de adubo orgânico, como composto ou esterco bem curtido, é também muito benéfica, pois melhora a estrutura do solo e a capacidade de retenção de água, além de fornecer nutrientes de forma gradual. É importante realizar a adubação de maneira regular, preferencialmente no início da estação de crescimento e após a colheita.
A poda do abacateiro é um aspecto crucial no manejo dessa árvore frutífera, principalmente quando se visa facilitar a colheita. A poda de formação, realizada nos primeiros anos de vida da árvore, tem como objetivo principal desenvolver uma estrutura forte e bem distribuída de galhos, que suporte o peso dos frutos e permita um acesso mais fácil durante a colheita. Idealmente, deve-se buscar uma forma aberta, como a de um vaso ou taça, removendo galhos centrais para permitir a entrada de luz, reduzir a altura final da planta e melhorar a circulação de ar no interior da copa. Isso não apenas melhora a qualidade e a quantidade dos frutos, mas também reduz a incidência de doenças.
A poda de manutenção nos anos subsequentes envolve a remoção de galhos secos, doentes ou que crescem para dentro da copa, mantendo a forma desejada da árvore. É importante realizar a poda no momento apropriado, geralmente após a colheita, para evitar danos à produção do próximo ciclo e garantir a saúde da planta. Pulverizações anuais com calda bordalesa são importantes para a prevenção da antracnose e outras doenças fúngicas, que promovem abortamento da frutificação e redução do tempo de prateleira dos frutos.
A multiplicação da planta se dá tanto por sementes que germinam facilmente, quanto comercialmente por enxertia, uma técnica que garante a replicação das características desejadas da planta mãe. O abacateiro proveniente de enxertia é precoce e começa a produzir frutos entre o 3º e o 4º ano, podendo produzir entre 200 a 800 frutos anualmente.



Carambola
Averrhoa carambola
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Averrhoa carambola
Sinonímia: Averrhoa pentandra, Averrhoa acutangula, Connaropsis philippica, Sarcotheca philippica
Nome Popular: Carambola
Outros Nomes: Camerunga, Caramboleira, Caramboleiro, Fruta-estrela
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Origem: Ásia, Índia, Indonésia, Malásia, Sri Lanka
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 6.0 a 9.0 metros
Família: Oxalidaceae
Cuidado
Pessoas com problemas renais não devem consumir carambolas, pelo risco de intoxicação. Os frutos contém, além de uma considerável concentração de ácido oxálico, uma toxina, chamada caramboxina que pode provocar insuficiencia renal, problemas neurológicos e até mesmo a morte, se ingerida em excesso. Mulheres grávidas devem evitar as sementes, que podem conter substâncias abortivas.
Planta medicinal
Indicações: escorbuto, diarréias, verminoses, hemorragias, febres, problemas oculares, eczema, micose, sarna e catapora, envenenamento, pressão-alta, diabetes, tosse, reumatismo, asma, cólica, icterícia
Propriedades: vermífuga, anti-escorbútica, anti-diarréica, adstringente, diurético, hipotensor, emenagoga, galactogoga
Partes Utilizadas: folhas, flores, frutos, sementes
A caramboleira é cultivada comercialmente em diversos países tropicais e subtropicais, com destaque para Malásia, Índia, Taiwan, Filipinas, Brasil e regiões dos Estados Unidos como Flórida e Havaí, embora o cultivo global dificilmente ultrapasse 10.000 hectares. A fruta tem importância econômica regional, com produção significativa no Sudeste Asiático e América Latina, sendo exportada em pequenas quantidades para mercados como Japão e União Europeia.
A Averrhoa carambola é uma espécie arbórea lenhosa de pequeno a médio porte, geralmente atingindo entre 3 e 9 metros de altura, com copa ampla e ramificada, de formato piramidal a arredondada, que pode chegar a 6 metros de diâmetro. O sistema radicular é pivotante, com raízes principais profundas e raízes secundárias bem distribuídas, conferindo boa fixação e absorção de nutrientes.
O tronco apresenta-se curto, tortuoso, com diâmetro variável que pode alcançar até 30 cm em exemplares adultos; a casca é fina, de coloração acinzentada a castanho-clara, textura lisa quando jovem e levemente fissurada com o envelhecimento. Os ramos são pendentes, muitas vezes se assemelhando a um salgueiro chorão, quando em plena frutificação, são flexíveis e apresentam coloração esbranquiçada a avermelhada na madeira interna. A madeira da caramboleira é clara e leve, própria para trabalhos manuais e caixotaria. O crescimento é predominantemente arbustivo nos primeiros anos, tornando-se mais ereto e ramificado à medida que amadurece.
As folhas da caramboleira são compostas, imparipinadas, alternas e dispostas em espiral ao longo dos ramos. Cada folha mede entre 15 e 20 cm de comprimento e possui de cinco a onze folíolos ovais ou oval-oblongos, com tamanho variando de 3,8 a 9 cm cada. Os folíolos apresentam coloração verde-médio na face superior, superfície lisa e brilhante; já a face inferior é finamente pubescente e esbranquiçada. As bordas dos folíolos são inteiras e o ápice é arredondado ou levemente acuminado; os pecíolos são curtos e discretos. Trata-se de uma espécie perenifólia (folhas persistentes), cujos folíolos exibem sensibilidade ao toque e à variação luminosa, curiosamente dobrando-se à noite ou sob estímulos mecânicos.
Averrhoa carambola é uma planta monóica, apresentando flores hermafroditas reunidas em inflorescências do tipo panícula axilar ou caulinar. A floração ocorre principalmente na primavera e verão em regiões tropicais, podendo estender-se ao longo do ano sob condições favoráveis. As inflorescências são pequenas, densamente agrupadas nas axilas das folhas ou diretamente no tronco (caulifloria), com hastes avermelhadas.
As flores são campanuladas, simétricas radialmente (actinomorfas), medindo cerca de 6 mm de diâmetro; possuem cinco pétalas lilases ou arroxeadas com estrias brancas ou rosadas e superfície levemente pubescente; não apresentam fragrância marcante. A polinização é cruzada, realizada principalmente por abelhas e outros insetos polinizadores. Após a polinização formam-se os frutos, que podem surgir em três colheitas ao ano, ou até mesmo o ano todo em condições favoráveis. O fruto é uma baga grande, oblonga, com cinco a seis ângulos longitudinais bem definidos; apresenta casca fina cerosa amarelo-alaranjada quando madura e polpa suculenta amarelo-clara; é comestível tanto in natura quanto processado. Cada fruto pode conter até doze sementes achatadas, marrons, medindo entre 6 a 12 mm.
Detalhe das flores
Averrhoa carambola apresenta ampla diversidade de cultivares selecionados por características como sabor, acidez, doçura, formato do fruto, produtividade, resistência fisiológica e adaptabilidade a distintas condições climáticas. Essa diversidade se reflete no desenvolvimento e seleção de cultivares com valor comercial. Dentre os principais cultivares reconhecidos atualmente, destacam-se:
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‘Fwang Tung’: variedade originária da Tailândia, produz frutos de tamanho médio a grande, com gomos bem definidos e polpa muito doce, de baixa acidez, ideal para consumo in natura. Apresenta casca clara e textura firme, sendo frequentemente cultivada em regiões tropicais úmidas.
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‘Arkin’: cultivar amplamente cultivada na Flórida e considerada padrão comercial nos Estados Unidos. Produz frutos de tamanho médio, sabor doce e casca de coloração amarelo intenso quando madura. Sua polpa firme e resistência ao transporte tornaram-na preferida no comércio varejista.
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‘Golden Star’: lançada pelo Instituto de Alimentos e Ciências Agrícolas da Universidade da Flórida (IFAS), essa cultivar é caracterizada por frutos grandes, doce-subácidos, com coloração amarelo-ouro intensa. Destaca-se também por sua ampla adaptação a solos com pH elevado, sendo utilizada como porta-enxerto em alguns programas de melhoramento.
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‘Kari’: cultivar introduzida no Havaí a partir de material vegetal da Malásia. Produz frutos doces, de formato mais alongado, com coloração intensa. A planta apresenta porte mais compacto, o que a torna apropriada para cultivo doméstico e em quintais urbanos.
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‘Sri Kembangan’: cultivar tradicional da Malásia, apresenta frutos longos e simétricos, com gomos salientes e sabor equilibrado entre doce e ácido. É amplamente utilizada tanto para consumo direto quanto em preparações culinárias.
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‘Dah Pon’: variedade de origem asiática, provavelmente selecionada em Taiwan. Produz frutos grandes, com cinco gomos bem definidos e coloração amarela intensa. O sabor é levemente ácido, com bom rendimento por planta, o que a torna popular em pomares tropicais.
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‘B-6’: cultivar originada na Malásia, conhecida por frutos com costeletas robustas, coloração intensa e sabor doce. É reconhecida em coleções de germoplasma como uma das variantes mais adaptadas a climas úmidos e quentes.
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‘Tean-Ma’: variedade presente em coleções asiáticas e da Flórida, introduzida a partir de materiais tailandeses. Seus frutos são de formato alongado, sabor suave, com menor acidez. A planta apresenta bom comportamento agronômico em cultivos tropicais.
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‘Nota-10’ (também conhecida como ‘B-10’): cultivar desenvolvida na Malásia, e selecionada pela UNESP de Jaboticabal por suas características produtivas e sensoriais superiores. Produz frutos grandes, doces, com coloração amarelo-laranja intensa. Documentada na literatura científica e utilizada na enxertia e em cultivos comerciais, é valorizada pela estabilidade de produção e resistência moderada a pragas.
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‘Maher Dwarf’: cultivar anã desenvolvida no Havaí, com porte reduzido (1 a 2 metros), ideal para cultivo em vasos ou jardins compactos. Produz frutos doces, de polpa firme e boa coloração, sendo especialmente indicada para usos ornamentais e domésticos.
A Carambola é famosa por seu formato estrelado quando cortada transversalmente, tornando-se um destaque em saladas de frutas, drinks tropicais, chás, vinhos e decoração culinária, sendo uma belíssima guarnição. Em diversas culturas asiáticas, o fruto maduro é utilizado na medicina tradicional como auxiliar no tratamento de febres, hipertensão arterial e problemas digestivos. O suco fresco tem aplicação doméstica para remoção de manchas em tecidos e polimento de metais devido ao teor ácido.
No paisagismo tropical ou subtropical, a Carambola é valorizada pelo porte médio (até 9 metros), copa arredondada e ramos pendentes que criam efeito visual bastante interessante, principalmente quando em frutificação. Pode ser utilizada isoladamente como ponto focal em jardins residenciais ou agrupada para formar cortinas verdes que oferecem sombra parcial. Devido à delicadeza das folhas compostas e à floração entre primavera e verão, integra projetos que buscam leveza visual ou composição com espécies floríferas como hibiscos ou alamandas. A textura da folhagem contrasta bem com palmeiras baixas ou forrações densas (ex.: grama-amendoim), enquanto seus frutos pendentes agregam valor decorativo ao paisagismo produtivo.
Bonsai de carambola e carambola cortada transversalmente evidenciando o formato de estrela.
A caramboleira pode ser empregada também como cerca viva frutífera em quintais urbanos devido à ramificação densa. Atrai aves frugívoras durante o período de frutificação, atraindo a fauna local. É indicada para pomares domésticos integrados a áreas de lazer pelo fácil acesso as frutas que podem tocar o chão com seus ramos pendentes. A frutificação abundante pode ser consumida in natura ou conservada através de processamento (geleias, sucos). Quando cultivada próxima a varandas ou decks, proporciona sombra leve sem bloquear totalmente a luz natural. A árvore pode ser cultivada em vasos, preferencialmente utilizando-se cultivares anãs enxertadas, e também é apropriada para a arte do bonsai.
A caramboleira exige alta luminosidade para pleno desenvolvimento, preferindo o cultivo a pleno sol, embora tolere meia-sombra em regiões de clima muito quente. Adapta-se melhor a climas tropicais e subtropicais, com temperaturas ideais entre 24 °C e 30 °C. É sensível ao frio intenso e geadas, podendo ter crescimento prejudicado ou morrer quando exposta a temperaturas inferiores a -2 °C. Ventos fortes podem causar danos mecânicos aos ramos frágeis e à copa densa, sendo recomendável o plantio em locais protegidos. A espécie não tolera estiagem prolongada, terrenos alagados ou a salinidade de regiões litorâneas.
O solo ideal para Averrhoa carambola deve ser fértil, profundo, levemente ácido (pH entre 5,5 e 6,5), com drenagem perfeita e textura areno-argilosa ou franca. Em vasos, recomenda-se substrato rico em matéria orgânica e bem aerado. A planta é sensível ao encharcamento e não tolera solos compactados ou mal drenados; por outro lado, períodos curtos de seca são suportados por indivíduos adultos bem estabelecidos e podem ajudar a induzir a floração. As regas devem ser regulares durante o estabelecimento das mudas e nos períodos secos, mantendo o solo levemente úmido sem saturação, principalmente durante o crescimento vegetativo e florescimento.
No plantio da caramboleira no jardim, recomenda-se abrir amplos berços de plantio enriquecidos com composto orgânico ou esterco bem curtido. A adubação deve ser equilibrada, utilizando formulações ricas em fósforo no início do desenvolvimento e nitrogênio-potássio na fase de frutificação, com reaplicações semestrais ou conforme análise do solo. O tutoramento é indicado para mudas jovens até o pleno enraizamento.
Realizar podas de formação para estimular a ramificação e podas sanitárias anuais para remoção de galhos secos ou doentes; a poda de frutificação pode ser feita após o inverno e início da primavera para renovar os ramos produtivos. É desejável manter a árvore com até de 2 metros altura em pomares comerciais para facilitar a colheita. Também pode ser conduzida em espaldeira, conduzida em treliças. A cobertura morta (mulching) ao redor da planta auxilia na conservação da umidade e controle de plantas daninhas.
A caramboleira pode ser atacada por mosca-das-frutas (Dacus dorsalis e Anastrepha spp.), cochonilhas, ácaros e algumas lagartas desfolhadoras; também é suscetível a doenças fúngicas como antracnose e cercosporiose em condições úmidas. O manejo integrado inclui inspeção regular das folhas e frutos, retirada manual de frutos caídos ou infestados, ensacamento dos frutos, uso criterioso de inseticidas biológicos ou óleos minerais quando necessário e manutenção da sanidade geral da planta por meio de adubação equilibrada. Em relação à herbivoria por animais maiores, como caprinos ou bovinos, recomenda-se cercamento das mudas jovens.
A propagação da Averrhoa carambola pode ser realizada por sementes frescas — que devem ser semeadas logo após a extração — ou por métodos vegetativos como enxertia e alporquia para garantir as características desejáveis da cultivar mãe. A semeadura deve ser feita em substrato mantido úmido e ocorre em cerca de 7 dias. Para produção comercial ou reprodução fiel ao tipo parental, recomenda-se enxertia de ramos lenhosos sobre porta-enxertos vigorosos e bem adaptados; o processo é realizado no final do inverno ou início da primavera. Plantas provenientes de sementes iniciam a produção entre 3 e 8 anos após o plantio; já as enxertadas podem frutificar entre 9 meses e 2 anos após o estabelecimento definitivo no campo.


Mamão
Carica papaya
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Carica papaya
Nome Popular: Mamão
Outros Nomes: Ababaia, Mamão-do-amazonas, Mamão-papaia, Mamãozinho, Mamoeiro, Papaeira, Papaia, Pinoguaçu
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América Central e Insular, América do Sul
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 6.0 a 9.0 metros
Família: Caricaceae
Cuidado
Algumas substâncias contidas no mamão podem suprimir os efeitos do hormônio progesterona na mulher, ocasionando abortos.
Planta medicinal
Indicações: afecções renais, afecções respiratórias, obesidade, flatulência, prisão-de-ventre, verminoses, azia, verrugas, pólipos
Propriedades: antiinflamatória, calmante, cicatrizante, digestivo, diurético, emoliente, laxativa
Partes Utilizadas: folhas, raízes, flores, seiva, frutos
O mamoeiro é uma árvore de caule semi-herbáceo, oco, cilíndrico e simples. No topo da árvore não vemos ramos, apenas folhas grandes, digitilobadas, com nervuras amarelas, sustentadas por longos pecíolos. Ao caírem, durante o crescimento da planta, as folhas deixam grandes cicatrizes no caule. O mamoeiro pode produzir flores masculinas, femininas ou hermafroditas em plantas dióicas ou monóicas.
As flores do mamoeiro podem ser brancas ou amarelas, são cerosas e muito perfumadas. A floração inicia-se em 9 a 10 meses após o plantio. As plantas fêmeas, com flores exclusivamente femininas, produzem após a polinização frutos arredondados. Já as plantas hermafroditas, com flores completas (perfeitas), geram os frutos preferidos comercialmente, alongados, com polpa mais espessa e, conseqüentemente, com cavidade central menor.
O mamão é um fruto carnoso, grande, indeiscente, com polpa macia, densa, aromática e de coloração variável entre o amarelo e o vermelho. Sua casca é lisa e fina, verde na ocasião da colheita e que torna-se gradativamente amarela ou alaranjada com o amadurecimento. A cavidade interna do fruto contém numerosas sementes pretas, comestíveis, de sabor picante, revestidas por uma substância mucilaginosa.
O mamoeiro é uma árvore tipicamente tropical, de crescimento veloz, podendo atingir 8 metros de altura. Sua vida é curta, embora produtiva, e os pomares de mamoeiro devem ser renovados a cada 3 anos em média. Atualmente o mamoeiro é cultivada em diversas regiões tropicais do planeta e pode frutificar durante o ano todo, gerando de 20 a 50 kg de mamão.
Os mamões maduros são consumidos geralmente in natura, mas têm ampla utilização culinária, na forma de shakes, doces, pudins, ensopados, etc. Os mamões verdes, cortados em tiras finas, são utilizados na preparação de um saboroso doce em calda. O mamão é uma fruta sensível que deve ser acondicionada, transportada em armazenada sob cuidados especiais, para que não sofra machucaduras que inviabilizem sua comercialização e consumo.
A seiva leitosa extraída do frutos verdes e do caule, contém a enzima papaína, largamente utilizada como medicinal e na indústria, como amaciante de carnes, tratamento de couros e na composição de cosméticos.
Deve ser cultivado sob sol pleno, em solos leves, calados, férteis e bem drenados, longe de locais ventosos e irrigados regularmente. As mudas devem ser transplantadas para covas bem preparadas, com adubos e terra solta, para seu pleno desenvolvimento radicular. É uma planta muito sensível às geadas e não desenvolve-se bem em climas frios. Também é suscetível a uma série de doenças e pragas, que devem ser prevenidas e controladas em fase iniciais. Multiplica-se por sementes.


Figueira
Ficus carica
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Ficus carica
Nome Popular: Figueira
Outros Nomes: Figo, Figueira-comum, Figueira-da-europa, Figueira-de-baco, Figueira-de-portugal, Figueira-do-reino
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: África, Ásia, Europa, Mediterrâneo, Oriente Médio
Clima: Mediterrâneo, Subtropical, Temperado, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Família: Moraceae
Cuidado
A figueira possui látex que pode provocar graves queimaduras na pele. Ao manusear frutos, ramos ou folhas, principalmente durante as podas ou colheita deve-se utilizar equipamento de proteção, como luvas e mangas longas. Os frutos verdes devem ser cozidos antes do consumo. Os frutos maduros podem ser consumidos in natura, desprezando-se as partes verdes.
Planta medicinal
Indicações: Aftas, Inflamações da boca, Gengivites, Inflamações da Garganta, Calos, Caspa, Dermatite Seborréica, Ferimentos, Doenças Pulmonares, Constipação Intestinal, Abcessos, Escorbuto
Propriedades: Laxante, Expectorante, Calicida (Seiva), Antibiótico, Antiinflamatório
Partes Utilizadas: Frutos, Folhas, Seiva
A figueira é uma árvore frutífera, monóica e decídua, originária do Oriente Médio. Sabe-se que o figo, fruto da figueira, é utilizado pelo homem desde à Idade da Pedra. A figueira é também uma das primeiras plantas cultivadas. De porte pequeno a médio, as figueiras crescem de 6 a 10 metros de altura, mas geralmente não ultrapassam os 8 metros. A planta é bem ramificada, com ramos frágeis e seiva leitosa. As folhas são verdes, caducas no inverno, com textura papirácea, nervuras bem marcadas e profundamente lobadas, com três a cinco lobos. As flores da figueira não são visíveis pois se encontram dentro do figo, que é uma infrutescência e não uma fruta. Sicônio é o tipo de pseudofruto ao qual pertencem os figos. O pequeno orifício visto na base do figo é uma passagem estreita para os polinizadores. As flores são polinizadas devido a uma simbiose com um tipo muito específico de vespa-do-figo. Em troca da polinização os figos fornecem alimento e abrigo para todas as fases de vida da vespa, em uma complexa relação. Se a polinização ocorrer serão produzidas sementes. As plantas masculinas produzem figos não comestíveis, denominadados caprifigos. A grande maioria das variedades cultivadas no Brasil não necessita de polinização, assim como de plantas macho, para produzir os figos comestíveis. Os figos podem ser verdes, pretos, roxos, amarelos, vermelhos, marrons e esbranquiçados, de acordo com a variedade.
A figueira é uma árvore fácil de cultivar no pomar doméstico. Ela provê uma quantidade enorme de figos que podem ser consumidos maduros, in natura, ou mesmo verdes, em preparos diversos. Os figos verdes se prestam para geléias, doces em calda, figadas, figos desidratados tipo rami, cristalizados, licores, etc. Os maduros entram crus ou cozidos em pratos doces ou salgados, como saladas, assados e sobremesas refrescantes. De forma bem planejada, é possível aproveitar as delicias do figo o ano todo. Além dos figos, a figueira adulta provê uma agradável sombra, gostosa de curtir em chácaras, amplos jardins e parques. Assim como outras árvores do gênero Ficus, a figueira-comum possui raízes agressivas nos exemplares adultos. Desta forma não é indicado seu plantio próximo à construções, tubulações enterradas e áreas pavimentadas. Os figos maduros também são muito atrativos para os passarinhos.
As podas são parte importante da manutenção e formação da figueira. As podas de formação iniciam-se já no primeiro ano após o plantio, assim que a planta atinge 50 cm de altura. Os despontes sucessivos a cada ano preparam a copa da árvore para que sejam baixa, arejada e bem distribuída. Para uma boa produção e facilitar a colheita, além de prevenir a planta de uma série de doenças e pragas, é recomendável também a poda anual da planta adulta. Esta poda é drástica e visa eliminar os ramos que produziram no ultimo ano, além de ramos secos, fracos e doentes. A poda anual deve ser realizada no final do inverno, antes da planta emitir suas brotações. O aspecto final da planta podada deve ser sem folhas. Após as podas, é importante utilizar uma pasta cicatrizante ou pasta bordalesa sobre os ferimentos.
Deve ser cultivado sob sol pleno, em solos bem drenados, profundos, enriquecidos com matéria orgânica e irrigados no pós-plantio e períodos de estiagem. A figueira é capaz de crescer bem em solos pobres e tolera a seca, porém com menor produção de figos. Ela clima mediterrâneo e subtropical, mas tem excelente adaptação climática, podendo ser cultivada de norte a sul do Brasil. É interessante que passe por um período de dormência anual, seja por inverno frio ou seco. (A irrigação constante em climas quentes inibe a dormência, o que diminui a produtividade da planta). Não tolera geadas, mas rebrota na primavera. Adubações anuais e uma cobertura verde ou morta sobre o solo são importantes para evitar doenças e estimular a produção. Multiplica-se por sementes apenas para fins de melhoramento. Geralmente a multiplicação é feita por alporquia e estaquia dos ramos. A época ideal para obtenção das estacas é no final do inverno por ocasião da poda.


Araçá
Psidium cattleyanum
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Psidium cattleyanum
Nome Popular: Araçá
Outros Nomes: Araçá-amarelo, Araçá-comum, Araçá-da-praia, Araçá-de-comer, Araçá-de-coroa, Araçá-do-campo, Araçá-rosa, Araçá-vermelho
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América do Sul, Brasil
Clima: Equatorial, Oceânico, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 1.2 a 1.8 metros, 1.8 a 2.4 metros, 2.4 a 3.0 metros, 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros
Família: Myrtaceae
O araçazeiro, cujo fruto é o araçá, é uma árvore ou arvoreta, de copa esparsa, muitas vezes com porte arbustivo, alcançando de 1 a 9 metros de altura. Ocorre naturalmente da Bahia ao Rio Grande do Sul, na Mata Altlântica. Seu tronco é tortuoso e apresenta casca lisa, escamosa, na cor cinza a marrom avermelhada, com ramos pubescentes quando jovens. As folhas são opostas, coriáceas, glabras, simples, inteiras, com forma elíptica a oblonga, e 5 a 10 cm de comprimento. As flores são solitárias, axilares e brancas, com longos estames. O período de florescimento é longo, estendendo-se de junho a dezembro.
A frutificação do araçazeiro também se estende por um longo tempo, ocorrendo durante a primavera e verão. Os frutos são do tipo baga, pequenos, globosos, de casca vermelha ou amarela, com polpa de cor creme a esbranquiçada, suculenta, doce e ácida, de sabor e aspecto semelhantes à goiaba, e com numerosas sementes. Os frutos, ricos em vitamina C, podem ser consumidos in natura ou na forma de sucos, sorvetes, doces, compotas, licores ou marmeladas. Eles também são muito apreciados pela fauna silvestre, que se encarrega de espalhar as sementes.
O araçazeiro é uma árvore ideal para pomares domésticos. Por ser de pequeno porte, não exige muito espaço para crescer e dar os frutos que toda família poderá apreciar. Também possui o poder de atrair uma infinidade de passarinhos silvestres, que vem degustar seus deliciosos frutos. Por este entre outros motivos, ele não deve faltar em programas de recuperação de áreas degradadas da mata atlântica.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, profundo, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. O araçazeiro aprecia o clima tropical, com o calor e a umidade, no entanto, é capaz de tolerar as geadas do clima subtropical. Apesar de preferir sol pleno, tolera sombreamento parcial. Como outras mirtáceas, o araçá é sensível à galhas e moscas-das-frutas. Multiplica-se por sementes.


Uvaia
Eugenia pyriformis
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Eugenia pyriformis
Sinonímia: Eugenia uvalha, Pseudomyrcianthes pyriformis, Eugenia foliosa, Eugenia turbinata, Eugenia dumicola
Nome Popular: Uvaia
Outros Nomes: Uvalha, Uvalha-do-campo, Uvaia-do-campo, Uvaia-nativa, Ubaia, Uvaia-muchana, Cambuí-da-índia, Ubapeba, Pêssego-do-campo, Uvaia-azeda-do-campo, Uvaia-miúda-da-mata, Uvaia-do-Pêra, Uvaia-do-mato, Uvaieira
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América do Sul, Brasil
Clima: Mediterrâneo, Subtropical, Temperado, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros
Família: Myrtaceae
Planta medicinal
Indicações: Hipertensão, Hipercolesterolemia, Gota, Obesidade, Câncer, Doenças Imunossupressoras, Malária, Doenças Inflamatórias crônicas e agudas, Escorbuto, HIV
Propriedades: Adstringente, Digestiva, Rica em Vitamina C
Partes Utilizadas: Folhas, Frutos
A uvaia é uma arvoreta ou arbusto nativo do sul e sudeste do Brasil, e cultivada em quintais e pomares domésticos principalmente pelos seus saborosos frutos. O nome “uvaia” vem do tupi e significa “fruta ácida”. Ela é aparentada com a Pitanga, Grumixama, e a Cereja-do-rio-grande. Alcança de 4 a 10 metros de altura, com 30 a 50 cm de diâmetro de tronco. Pode ter caule único e retilíneo ou ramificar desde à base, de acordo com a variedade. Apresenta folhas pequenas, opostas, de forma elíptica, inteiras e aromáticas. Floresce na primavera, despontando flores axilares, pedunculadas, hermafroditas, tetrâmeras e brancas. O fruto que se segue é uma drupa globosa a piriforme, com 2,5 a 4 cm de diâmetros, carnosa, suculenta, de casca e polpa amarela a alaranjada, com até quatro sementes redondas. Eles amadurecem no verão e são avidamente consumidos por passarinhos.
Os frutos são doces e ácidos, muito aromáticos, ricos em vitamina C e podem ser consumidos in natura e na forma de sucos, sorvetes, caldas, compotas, vinhos, vinagres e como saborizante de licores e aguardentes. Apesar de deliciosos, os frutos da uvaia raramente são vistos em supermercados ou feiras, visto que se sua casca fina e delicada se rompe e amassa com facilidade, e a polpa oxida em poucas horas, o que provoca a rápida deterioração após a colheita. Por este motivo os cultivos comerciais são raros.
No paisagismo seu uso é crescente, pois além de frutífera, a uvaia é uma árvore elegante, com copa arredondada e esparsa, de crescimento moderado e pequeno porte. Apesar dos frutos fazerem alguma sujeira por ocasião da queda, suas qualidades sem dúvida se sobrepõem a este problema e ela deve ser utilizada para ornamentar jardins residenciais, calçadas, parques, praças, etc. Por ser nativa e frutífera, atraindo a avifauna, ela é fortemente indicada para projetos de reflorestamento heterogêneos, em áreas de preservação permanente. A madeira da uvaia é considerada de boa qualidade, sendo pesada, dura e durável, própria para o uso em moirões, cercas, estacas, postes, cabos de ferramentas e lenha.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, profundo, levemente ácido e irrigado regularmente no primeiro ano de implantação. Após plena adaptação, as regas podem ser deixadas por conta das chuvas, e somente suplementadas se ocorrer estiagem durante a floração e frutificação. Tolerante a baixas temperaturas e geadas leves. Multiplica-se por sementes colhidas de frutos despolpados e postos a germinar imediatamente após a colheita. A germinação ocorre entre 40 a 60 dias após o plantio, com taxa de cerca de 40%. A frutificação inicia entre 2 a 4 anos após o plantio.


Acerola
Malpighia emarginata
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Malpighia emarginata
Sinonímia: Malpighia glabra, Malpighia berteroana, Malpighia urens, Bunchosia parvifolia, Malpighia biflora, Malpighia dicipiens, Malpighia fallax, Malpighia lucida, Malpighia myrtoides, Malpighia neumanniana, Malpighia nitida, Malpighia oxycocca, Malpighia peruviana, Malpighia punicifolia, Malpighia semeruco, Malpighia undulata, Malpighia uniflora, Malpighia virgata, Malpighia retusa, Malpighia umbellata
Nome Popular: Acerola
Outros Nomes: Aceroleira, Cereja-das-antilhas, Cereja-de-barbados
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América Central e Insular, América do Norte, América do Sul, Antilhas, Brasil, México, Peru
Clima: Equatorial, Mediterrâneo, Oceânico, Semi-árido, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 2.4 a 3.0 metros, 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros
Família: Malpighiaceae
Cuidado
Utilizar luvas e camiseta de manga comprida ao efetuar podas, colheitas ou outros manejo que exijam contato direto com ramos e folhas. O contato com a planta pode provocar alergias e irritações da pele de pessoas sensíveis.
Planta medicinal
Indicações: Escorbuto, Fadiga, Infecções recorrentes, Flacidez, Doenças ósseas ou do tecido conjuntivo, Cegueira noturna, Pós-operatório, Reumatismo, Anemia, Doenças gengivais, Desnutrição, Rinite Alérgica, Envelhecimento precoce
Propriedades: Rica em Vitaminas C, A e do Complexo B, Antioxidante, Nutriente, Reforça o sistema imunológico
Partes Utilizadas: Frutos
A acerola ou aceroleira é um arbusto ou arvoreta, frutífera e ornamental, cultivada em regiões tropicais de todo o mundo, principalmente por seus frutos altamente nutritivos. Seu tronco é ramificado desde à base, a copa é densa e o porte é pequeno, geralmente entre 3 e 5 metros de altura. As folhas são simples, opostas, ovaladas a lanceoladas, pequenas, brilhantes e de cor verde-escura. As margens das folhas são inteiras ou onduladas e possuem pequenos pêlos, que podem provocar irritação na pele. As inflorescências são do tipo corimbo, sésseis, e despontam na axilas foliares, com três a cinco flores. Essas por sua vez são hermafroditas, pentâmeras, com pétalas franjadas de cor branca ou rosa. Os frutos amadurecem entre 22 a 30 dias após a floração. Eles são do tipo drupa, com casca lisa, delicada e brilhante e polpa carnosa, suculenta e aromática, com três gomos que protegem respectivamente três sementes. Os frutos podem ser de cor laranja ou vermelha quando maduros, de acordo com a cultivar.
Apesar da aceroleira ser uma planta frutífera, e isso criar uma certa ressalva entre alguns paisagistas, ela se comporta de maneira um tanto diferente das árvores frutíferas mais comuns. Por ser tropical, ela é mais rústica e resistente a doenças e pragas, e menos exigente em manejo, ao contrário de laranjeiras e macieiras por exemplo. Além disso, forma naturalmente um arbusto, que pode obter a forma mais compacta com podas conduzidas. Seus frutos miúdos são ornamentais e atraem a avifauna. É uma árvore perfeita para os atuais quintais domésticos, cada vez menores e otimizados. Pode ser plantada em vasos e assim decorar pátios, terraços e outras áreas pavimentadas. Também é excelente em renques, formando uma útil cerca viva, que além de cumprir suas funções paisagísticas, ainda fornece frutos. Os apreciadores da arte bonsai também gostam de utilizar a acerola em seus cultivos, visto que tem folhas, flores e frutos naturalmente pequenos, sendo mais simples e rápido o seu treino até a formação de uma árvore miniaturizada.
O fruto tem sabor agradável, mais ou menos doce e ácido, com aroma que lembra a uva e a maçã, e rico em vitamina C. É reputado como uma das frutas mais ricas nesta vitamina, possuindo mais de 30 vezes o teor da laranja e podendo conter 5 gramas em apenas 100 gramas da polpa. Ele pode ser consumido in natura ou na forma de sucos, picolés, sorvetes, geléias, caldas, compotas, etc. No entanto é bom lembrar que, sendo a vitamina C uma substância volátil, quanto menos o fruto for processado melhor é o aproveitamento do seu valor nutritivo. No Brasil são crescentes o tamanho e o número das áreas de cultivo para aproveitamento dos frutos na agroindústria de polpa congelada, principalmente no nordeste. Há centenas de cultivares de acerola, com diferentes características fenotípicas e capacidades de adaptação a diversos climas e solos. Entre as cultivares mais difundidas podemos citar ‘Apodi’, ‘Cabocla’, ‘Cereja’, ‘Frutacor’, ‘Okinawa’, ‘Olivier’, ‘Costa Rica’, ‘Junco’, ‘Roxinha’, ‘Flor Branca’, ‘Rubra’ e ‘Sertaneja’, muitas dessas desenvolvidas pela Embrapa.
Deve ser cultivada sob sol pleno em solo fértil, profundo, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. As plantas destinadas à formação de bonsai podem se dar bem em condições de semi-sombreamento. Nas regiões norte, nordeste e centro-oeste, onde o clima é permanentemente quente, a acerola frutifica ao longo do ano todo, enquanto que no sul e sudeste, com estações mais marcadas, a frutificação costuma se concentrar na primavera e verão. Não tolera estiagem prolongada ou encharcamento. Para uma boa produção de frutos convém irrigar e fertilizar durante os meses de floração e frutificação. Multiplica-se por estaquia de ponteiro, enxertia e por sementes. Para a obtenção de plantas sabidamente produtoras de frutos de qualidade, deve-se adquirir mudas com boa procedência formadas por métodos vegetativos, como enxertia ou estaquia.


Goiaba
Psidium guajava
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Psidium guajava
Nome Popular: Goiaba
Outros Nomes: Araçá-das-almas, Araçá-goiaba, Araçá-guaçu, Araçá-mirim, Araçaíba, Araçauaçu, Goiaba-maçã, Goiabeira, Goiabeira-branca, Goiabeira-vermelha, Guaiaba, Guaiava, Guaiba, Guava, Guiaba, Mepera
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América Central e Insular, América do Sul
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros
Família: Myrtaceae
A goiaba é o fruto da goiabeira, arbusto ou árvore de pequeno porte, tipicamente tropical. A goiabeira apresenta tronco tortuoso, com casca lisa, que quando envelhece se desprende em finas lâminas de cor castanha. Suas folhas são elípticas, de coloração verde clara, pilosas quando jovens e com nervuras bem marcadas. As flores são axilares, hermafroditas, de coloração branca, com longos e numerosos estames. A floração ocorre na primavera, apenas nos ramos produzidos durante o ano corrente.
As goiabas são frutos do tipo baga, ovóides, de casca fina, lisa e verde, que torna-se amarela quando bem amadurecida. A polpa é delicada, doce e perfumada, e pode ser vermelha ou branca, de acordo com variedade. Suas sementes são pequenas, duras, de cor amarelo claro, em formato de rim. A frutificação da goiabeira se estende desde o verão até o outono, mas pode ser conduzida através de podas para que dure o ano todo.
A goiaba é uma fruta bastante acometida pela mosca-das-frutas, assim como outras Mirtáceas, o que rendeu o nome popular “bicho-da-goiaba” à larva deste inseto. Durante o crescimento do fruto, este deve ser ensacado para proteção contra a mosca-das-frutas. Frutos rachados, podres e caídos devem ser enterrados para evitar a disseminação da praga. Por ser frágil, a goiaba é uma fruta de difícil armazenamento e transporte. Pode ser consumida in natura, ou na forma de doces, sucos e compotas, rendendo saborosos produtos artesanais como a goiabada-cascão. Dela pode-se fabricar também um molho saboroso substituto do catchup, batizado de goiachup.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solos férteis, drenáveis, ricos em matéria orgânica e irrigados periodicamente. Rústica, a goiabeira adapta-se a diversos tipos de solo, além de vegetar em uma ampla faixa climática, desde equatorial até subtropical. As podas da goiabeira são especiais e efetuadas para formação da copa e frutificação. Árvores corretamente podadas podem produzir cerca de 100 kg de frutos por ano, assim como podas mal realizadas podem inviabilizar a produção. Não tolera geada ou climas secos. Multiplica-se por sementes, mas principalmente por enxertia e estaquia.


Castanha-portuguesa
Castanea sativa
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Castanea sativa
Nome Popular: Castanha-portuguesa
Outros Nomes: Castanheira, Castanheira-portuguesa, Castanheiro, Castanheiro-bravo, Castanheiro-europeu, Castinheiro, Castiro, Pinhão-doce
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: Anatólia, Bálcãs, Cáucaso, Europa
Clima: Equatorial, Mediterrâneo, Oceânico, Subtropical, Temperado, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: acima de 12 metros
Família: Fagaceae
A castanha-portuguesa é uma árvore grande, de cerca de 20 a 30 m de altura, de grande valor ornamental. Sua copa é arredondada e o tronco liso quando a planta é jovem, a medida que vai envelhecendo torna-se fendido na superfície. As folhas são lanceoladas, com bordos denteados e veias salientes.
As flores diferem-se em masculinas e femininas. As masculinas são amareladas ou brancas e assemelham-se a pequenos rabos de gato. As femininas são menos numerosas e protegidas por espinhos. Os frutos são na verdade as castanhas e se apresentam em número de um a três, guardadas por um invólucro espinhoso, conhecido por ouriço. São muito saborosos e apreciados em diversos pratos, cozidos, assados ou crus. A floração e a frutificação ocorre no outono.
Devido ao porte avantajado, a castanha-portuguesa presta-se para áreas também grandes, como parques e jardins extensos. Para a produção de castanhas, é necessário o plantio de mais de uma árvore, pois não realiza a autopolinização. Sua madeira é muito resistente e rica em tanino, e é utilizada na indústria de móveis, couros, tonéis e na construção civil. É conhecida também por suas propriedades medicinais, no combate a diarréia e problemas respiratórios. O florescimento exuberante da castanheira atrai abelhas.
Deve ser cultivada sob sol pleno, e prefere solos arenosos e profundos. Tolerante a solos ácidos e a seca, quando bem estabelecida. Árvore decídua, de clima mediterrâneo, adapta-se a uma ampla faixa climática, de temperados a tropicais. Multiplica-se por sementes plantadas logo após a colheita.


Manga
Mangifera indica
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Mangifera indica
Nome Popular: Manga
Outros Nomes: Mangueira
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: Ásia
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: acima de 12 metros
Família: Anacardiaceae
A manga é o fruto da mangueira, uma árvore longeva, de copa densa, perene e muito frondosa, que pode alcançar 30 metros de altura. Seu tronco é largo, e apresenta casca escura, rugosa e látex resinoso. As folhas são coriáceas, lanceoladas, com 15 a 35 cm de comprimento. Avermelhadas quando jovens e verdes com nervuras amarelas quando maduras. De floração abundante e ornamental, a mangueira apresenta inflorescências paniculadas e terminais, com flores pequenas e polígamas.
As mangas são frutos muito bonitos, perfumados, do tipo drupa, de formato ovóide-oblongo, mais ou menos alongado, de acordo com a variedade. Sua casca é fina, porém resistente, e pode apresentar cores diversas entre o verde, vermelho, rosa, amarelo ou laranja, com ou sem manchas pretas. A polpa é originalmente fibrosa, suculenta, de coloração amarela ou alaranjada. No entanto, com o melhoramento genético, frutas menos fibrosas, mais doces e aromáticas já estão largamente disponíveis. Sua polpa pode ser consumida in natura, em sucos, doces ou “chutney”, sendo rica em vitamina A. O fruto apresenta uma única semente, grande e fibrosa.
A manga é uma das mais importantes frutas tropicais e as principais variedades comerciais são: “Tommy Atkins”, “Palmer”, “Keitt”, “Haden”, “Coração de boi”, “Carlota”, “Espada”, “Van Dick”, “Rosa” e “Bourbon”. A mangueira também é amplamente utilizada no paisagismo, pelas suas qualidades ornamentais e sombra agradável, sendo plantada inclusive em vasos. No entanto, deve-se evitar a utilização da mangueira em vias públicas e estacionamentos, pois os frutos grandes podem danificar os automóveis e provocar sujeira, por ocasião de quedas.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, profundo e irrigado a intervalos periódicos. Rústica, pode-se no entanto cultivá-la em solos pobres, com menor produtividade, mas dependente de irrigação. Planta tipicamente tropical, a mangueira não tolera o frio excessivo, ventos ou geadas. Multiplica-se por sementes, enxertia ou alporquia.


Nêspera
Eriobotrya japonica
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Eriobotrya japonica
Sinonímia: Photinia japonica, Nespilus japonica
Nome Popular: Nêspera
Outros Nomes: Nespereira, Ameixa-americana, Magnório, Ameixa-japonesa, Ameixa-amarela, Ameixa-branca, Ameixa-do-Japão, Ameixa-do-pará, Ameixeira-japonesa, Magnório, Ameixeira-amarela
Luminosidade: Sol Pleno
Clima: Subtropical, Temperado, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 0.4 a 0.6 metros, 0.6 a 0.9 metros, 0.9 a 1.2 metros
Família: Rosaceae
Cuidado
Como em outras plantas da mesma família, as folhas novas e as sementes contém pequenas quantidades de cianeto. Se ingeridos em grandes quantidades podem provocar intoxicações.
Planta medicinal
Indicações: Dores de garganta, Tonsilite, Gripes, Resfriados, Laringite, Diabetes, Doenças da pele, Diarréias
Propriedades: Expectorante, Hipoglicemiante, Antidiarréico, Estomáquico
Partes Utilizadas: Frutos, Folhas
A nespereira é uma arvoreta perenifólia, frutífera, originária do Japão e conhecida em diversas partes do mundo pelos seus saborosos frutos. Apresenta tronco curto e avermelhado, com copa arredondada e ramagem nova recoberta por lanugem. Em altura pode alcançar até 10 metros, mas geralmente não ultrapassa os 4 metros. Suas folhas são alternas, lanceoladas, simples, verde-escuras, coriáceas, com margens denteadas e com densa lanugem de cor amarelo-amarronzada na página inferior. As folhas jovens, apresentam pubescência em toda sua extensão. Mas estes pelos caem gradualmente com a maturação das folhas. Um dos fatos mais interessantes sobre esta espécie, é que ela produz na entressafra da grande maioria das espécies frutíferas. Sua floração ocorre no outono e início do inverno, enquanto que sua frutificação dá-se no inverno e início da primavera. As flores são pentâmeras, brancas, perfumadas e surgem em inflorescências terminais do tipo panícula, em número de 3 a 10.
O fruto que se segue é do tipo baga, de cor amarela, laranja ou rosada, piriforme ou globular, e contém de 1 a 5 sementes grandes. Conforme vão amadurecendo, os frutos vão perdendo gradativamente os pelos que recobrem sua fina casca. A nêspera é doce, suculenta, ácida e rica em pectina. Ela pode ser consumida in natura ou em sucos, compotas, geléias, licores, tortas, etc.
A nespereira é uma árvore bastante interessante para pomares domésticos, pois além de ornamental e frutífera, ela é muito resistente as pragas e doenças, não exigindo a aplicação de defensivos químicos, ao contrário de outras frutíferas mais populares. A criançada adora subir nesta árvore e puxar os seus ramos para comer os frutos direto do pé. É também uma opção excelente para atrair a avifauna silvestre para o quintal. Sua copa cheia e folhas grandes conferem sombra e um visual bastante tropical ao jardim.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, neutro, profundo, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente nos primeiros anos de implantação. Depois de bem estabelecida é resistente à curtos períodos de estiagem. Fertilizações semestrais com adubos químicos e orgânicos são importantes para uma boa produção de frutos. Podas de formação e limpeza podem ser efetuadas sem problemas. O desbaste dos frutos em excesso promove a formação de frutos maiores e mais saudáveis. Outra medida que devemos tomar em cultivos comerciais é o ensacamento dos frutos, para evitar assim o ataque de pragas e formação de manchas sobre os frutos. Multiplica-se principalmente por estaquia e enxertia, que pode ser realizada sobre cavalo de nespereira ou marmeleiro.


Framboesa
Rubus idaeus
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Rubus idaeus
Nome Popular: Framboesa
Luminosidade: Sol Pleno
Clima: Temperado
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 0.4 a 0.6 metros, 0.6 a 0.9 metros, 0.9 a 1.2 metros, 1.2 a 1.8 metros, 1.8 a 2.4 metros
Família: Rosaceae
Cuidado
Esta planta possui espinhos. Tenha cuidado ao manuseá-la e use luvas.
Planta medicinal
Indicações: Obesidade, Pós-parto, Diarréias, Vômitos, Inflamações da boca, Tonsilite, Escorbuto, Pressão Alta, Feridas, Conjuntive, Úlceras varicosas, Queimaduras
Propriedades: Antioxidante, Emagrecedor, Antiemético, Antiinflamatória, Adstringente, Descongestionante, Diurético, Anti-escorbútica, Tônico e Estimulante
Partes Utilizadas: Folhas, frutos
A framboesa é um arbusto decíduo, perene, muito frutífero, originário da Europa e da Ásia, e que atualmente é cultivado em diversas regiões temperadas do mundo. Do seu sistema radicular perene surgem a cada ano hastes bienais, arqueadas e recobertas por espinhos. No primeiro ano de crescimento, estas hastes crescem eretas, altas e sem ramificações, até atingir a altura de 1,5 a 2 metros. Estas hastes possuem grandes folhas pinadas com 5 a 7 folíolos, porém sem flores. No segundo ano, as hastes não crescem em altura, mas emitem muitos ramos laterais, se arqueando e ramificando. Estes ramos laterais carregam folhas menores, também pinadas, mas com 3 a 5 folíolos. Deles surgem pequenos rácemos curtos e terminais, com flores brancas. As flores são hermafroditas e permitem a auto-fecundação. Frutifica no verão ou outono, de acordo com a cultivar. A framboesas é uma fruta agregada, com numerosas drupas em torno de um núcleo central. Ela se separa deste núcleo ao colhera fruta, tornando-se assim oca.
A framboesa é um fruto vermelho, comestível, doce e levemente ácido, excelente para caldas que acompanham mousses, sorvetes, iogurtes e pudins. Também pode-se fazer geléias, tortas, bolos, licores, vinagres, vinhos, xaropes, chás, sorbets, picolés, etc. Para remover as sementes basta peneirá-las após o cozimento.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, drenável, profundo, levemente ácido, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Não tolera solos pesados, pobres ou alcalinos. Apesar de vegetar melhor sob sol pleno, pode-se cultivá-lo sob meia sombra, protegido por uma árvore de copa rala por exemplo. Necessita de pelo menos 700 horas de frio abaixo de 7°C ao ano, para que frutifique. Desta forma, seu cultivo é restrito às regiões temperadas do mundo. Sensível à ventos fortes.
É recomendado podar os ramos que já frutificaram a cada ano. E a cada quatro anos, remover e dividir as touceiras, mudando-as de lugar. Multiplica-se por estaquia de ramos semi-lenhosos, alporquia e por divisão das touceiras.


Romãzeira
Punica granatum
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Punica granatum
Nome Popular: Romãzeira
Outros Nomes: Romã, Romeira
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: Oriente Médio
Clima: Continental, Equatorial, Mediterrâneo, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 2.4 a 3.0 metros, 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros
Família: Lythraceae
Planta medicinal
Indicações: afecções da boca, afecções dos olhos, afecções da pele, amigdalites, cólicas intestinais, envelhecimento, doenças cardíacas
Propriedades: anti-séptico, antiinflamatório, antioxidante, adstringente, diurético
Partes Utilizadas: frutos, raízes, folhas
A importância da romã é milenar, ela aparece nos textos bíblicos e os gregos a consideravam como símbolo do amor e da fecundidade. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo, pois acredita-se que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora.
É uma arvoreta que atinge de 2 a 5 m, de tronco acinzentado e ramos avermelhadas quando novos. A romãzeira se adapta desde os climas tropicais e subtropicais aos temperados e mediterrânicos. As flores da romazeira são vermelho-alaranjadas e simples, ocorrendo variedades de flores dobradas como a “Legrellei”. Os frutos são esféricos, com casca coriácea e grossa, amarela ou avermelhada manchada de escuro. O seu interior é composto de muitas sementes, cobertas por um tegumento espesso, polposo de cor rósea ou avermelhado, de sabor ácido e doce. É esta polpa que envolve as sementes a parte comestível do fruto.
Sua popularidade no paisagismo tem aumentado muito nos últimos tempos. A utilização da romazeira é usual em jardins de estilo mediterrâneo e é crescente seu cultivo em vasos, adaptando-se aos jardins em varandas e pequenos espaços. A variedade “Nana” (Mini-romazeira) é a mais apropriada para esta utilização.
Pode ser cultivada em grande variedade de solos, preferindo os profundos, sempre sob sol pleno. Rústica, tolera moderadamente a salinidade, as secas e o encharcamento. Resiste às temperaturas baixas de inverno e é sensível às geadas tardias de primavera. Multiplica-se por sementes.


Seriguela
Spondias purpurea
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Spondias purpurea
Sinonímia: Spondias nigrescens, Spondias crispula, Spondias cirouella, Warmingia pauciflora
Nome Popular: Seriguela
Outros Nomes: Siriguela, Ciriguela, Ciruela, Ambu, Ambuzeiro, Ameixa-da-espanha, Cajá-vermelho, Ciroela, Imbu, Imbuzeiro, Umbu, Umbuzeiro, Jocote, Ciruela-mexicana
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América Central e Insular, América do Norte, América do Sul, Belize, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, Jamaica, México, Peru, Venezuela
Clima: Equatorial, Mediterrâneo, Semi-árido, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros
Família: Anacardiaceae
Planta medicinal
Indicações: Anemia, Inapetência, Leucopenia, Carência de vitaminas
Propriedades: Revitalizante e energizante por seu alto teor de vitaminas e minerais.
Partes Utilizadas: Frutos
A seriguela é uma árvore decídua e frutífera, da mesma família do caju. Ela é originária de regiões tropicais das Américas, e se tornou conhecida em diversas partes do mundo, como África, Índia e Filipinas. Seu caule é um tanto tortuoso e ramificado desde à base, conferindo-lhe o aspecto típico das árvores do cerrado e da caatinga. O porte é pequeno, geralmente não ultrapassando 7 metros de altura. As folhas são pinadas, com 7 a 23 folíolos ovalados, avermelhados quando jovens e verdes posteriormente. As folhas caem durante o período seco, mas a árvore permanece desnuda por pouco tempo, pois em seguida surge o novo enfolhamento. A floração ocorre na primavera e as flores são pequenas, hermafroditas, de cor rosa, vermelha ou roxa, e reunidas em panículas. A frutificação inicia no final da primavera e a colheita se estende por todo o verão. O fruto é uma drupa de casca fina, brilhante e cor alaranjada a vermelha. Sua polpa é amarela, aromática, ácida, doce e suculenta, com uma semente grande, do tamanho de uma azeitona. Os frutos são também atrativos para a fauna silvestre.
A seriguela era uma cultura local e incipiente no nordeste que foi se desenvolvendo e se dispersando com a popularização dos frutos do norte e nordeste por todo o Brasil. Por ser uma arvoreta rústica, resistente à estiagem e frutífera é crescente também sua utilização no paisagismo urbano. Assim já é possível ver com certa frequência a seriguela em jardins do Distrito Federal, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste do Brasil. Os frutos da seriguela são versáteis e muito utilizados na gastronomia brasileira, onde podem ser consumidos in natura, como tira gosto de cachaças, em sorvetes, licores, doces, vinhos, sucos e na confecção de pratos salgados também.
Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, adaptando-se bem a solos pobres, mas preferindo os mais ricos e profundos. Irriga-se regularmente no primeiro ano de implantação. Resistente à estiagem. Suscetível ao ácaro, a mosca-das-frutas e as doenças fúngicas. Não tolera o frio. Raramente se multiplica por sementes, sendo mais comum a estaquia dos ramos. Na estaquia, devemos observar que os ramos tenham cerca de 30 a 50 cm e sejam plantados em ângulo de 45 graus no início do período das chuvas. As covas de plantio devem ser bem preparadas com esterco curtido e calcário. A planta inicia sua produção de frutos cerca de 3 a 4 anos após o plantio.


Pitanga
Eugenia uniflora
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Eugenia uniflora
Sinonímia: Eugenia brasiliana, Eugenia costata, Eugenia indica, Eugenia lacustris, Eugenia michelii, Eugenia microphylla, Eugenia parkeriana, Stenocalyx affinis, Stenocalyx brunneus, Stenocalyx dasyblastus, Stenocalyx glaber, Stenocalyx impunctatus, Stenocalyx lucidus, Stenocalyx michelii, Stenocalyx strigosus, Stenocalyx uniflorus, Myrtus brasiliana, Plinia pedunculata, Plinia rubra
Nome Popular: Pitanga
Outros Nomes: Pitangueira, Cerejeira-brasileira, Ginja, Pitanga-branca, Pitanga-do-mato, Pitanga-rósea, Pitanga-roxa, Pitangueira-miúda, Pitangueira-vermelha, Pitanga-vermelha, Pitangueira, Pitangueira-comum
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América do Sul, Argentina, Brasil, Uruguai
Clima: Equatorial, Mediterrâneo, Oceânico, Semi-árido, Subtropical, Temperado, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 1.8 a 2.4 metros, 2.4 a 3.0 metros, 3.0 a 3.6 metros, 3.6 a 4.7 metros, 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros
Família: Myrtaceae
Planta medicinal
Indicações: Febre, Afecções Estomacais, Hipertensão, Obesidade, Reumatismo, Afecções do fígado, Cólicas menstruais, Diabete, Disenteria, Gota, Hipertensão, Afecções da garganta, Queda dos Cabelos, Bronquite, Afecções Cardiovasculares, Diarréias
Propriedades: Adstringente, Analgésica, Depurativa, Digestiva, Estimulante, Refrescante, Antioxidante, Calmante, Antiinflamatória, Diurética, Vermífuga
Partes Utilizadas: Folhas e Frutos
A pitangueira é uma árvore ou arbusto frutífero e ornamental, nativo da mata atlântica e conhecido principalmente pelos frutos doces e perfumados que fazem parte da cultura dos brasileiros. O nome “pitanga” é de origem tupi e significa vermelho-rubro, uma alusão à cor dos frutos maduros. O porte pode ser arbustivo, entre 2 a 4 metros de altura, ou arbóreo, chegando nestes casos entre 6 e 12 metros. A copa é densa e arredondada. O florescimento é errático, e pode ocorrer duas ou mais vezes ao ano, dependendo na maioria das vezes do clima da região de plantio e da variedade da planta. As flores são pequenas, hermafroditas, brancas, perfumadas, com longos estames e muito melíferas, atraindo abelhas. As folhas são opostas, simples, ovais, acuminadas, glabras, avermelhadas quando jovens, e que gradativamente vão tomando a cor verde. Os frutos são bagas globosas, deprimidas nos polos, com sulcos longitudinais e quando maduros ficam de cor vermelha, vinho e até mesmo negra, de acordo com a variedade. A polpa é macia, suculenta e vermelha, recoberta por uma casca muito fina e delicada. Carrega entre 1 a 3 sementes grandes. No Brasil não há uma grande diferenciação de variedades, mas temos o maior banco de germoplasma da espécies e algumas cultivares importantes desdenvolvidas no IPA (Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária). Já no exterior, para onde a pitangueira foi amplamente difundida, houve uma preocupação maior em selecionar as melhores plantas e desenvolver novas cultivares.
A pitanga é consumida geralmente ao natural. Seu sabor é doce, ácido, pungente e com aroma muito característico. Ela também é muito nutritiva, sendo rica em vitaminas e minerais. Além de haver poucos produtores, ela é uma fruta frágil e de baixa durabilidade, por este motivo dificilmente é encontrada nas gôndolas dos supermercados. É mais fácil encontrar produtos artesanais de pitanga em mercados regionais, como licores, cachaças aromatizadas, geléias e vinhos. No entanto, é crescente a produção industrial de polpas, sucos e picolés preparados à base de pitanga.
Além de suas qualidades como frutífera, a pitangueira é decorativa. Seu caule tortuoso e os galhos intensamente ramificados, com folhas miúdas, chamam a atenção, sendo muito apreciados em jardins residenciais. Elas são frequentes em jardins sustentáveis que unem beleza e função, com preocupação ecológica. Jardins de inspiração italiana, que unem árvores frutíferas a formas geométricas também são perfeitos para pitangueiras. Projetos de reflorestamento muitas vezes contam com esta espécie também que além de ser nativa, ainda é capaz de atrair a avifauna, com seu frutos doces. A pitangueira é uma planta rústica e de baixa manutenção. É capaz de resistir a podas drásticas e frequentes. Por ser ramificada e tolerante à podas é também utilizada como cerca-viva. As adubações são necessárias semestralmente e no momento do plantio.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo preferencialmente fértil e profundo, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente por pelo menos dois anos após o plantio e em regiões semi-áridas. Adapta-se a diferentes tipos de solo, vegetando bem em solo pesadas e até mesmo em restingas e praias. Não tolera salinidade ou estiagem prolongada. Resistente ao frio, é capaz de tolerar temperaturas abaixo de zero. Multiplica-se facilmente por sementes que germinam em cerca de 22 dias após o plantio. Atualmente, os cultivos comerciais também obtém sucesso com plantio através de alporques e estacas, garantido assim a homogeneidade do pomar e a perpetuação das características da planta mãe. Frutifica já no 3º ano após o plantio. O espaçamento geralmente utilizado é de 4 metros entre plantas e entre linhas.


Jabuticaba
Myrciaria cauliflora
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Myrciaria cauliflora
Nome Popular: Jabuticaba
Outros Nomes: Fruita, Jaboticaba, Jaboticabeira, Jabuticaba-açu, Jabuticaba-do-mato, Jabuticaba-paulista, Jabuticaba-preta, Jabuticaba-sabará, Jabuticabeira
Luminosidade: Sol Pleno
Origem: América do Sul, Brasil
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros, acima de 12 metros
Família: Myrtaceae
A jabuticabeira é uma árvore nativa da Mata Atlântica, conhecidas por seus deliciosos frutos. Seu tronco é bastante ramificado e de casca lisa, que se renova anualmente após a frutificação. Na primavera surgem do tronco numerosas flores brancas, que cobrem quase toda sua extensão. Este processo ocorre simultaneamente à queda das folhas, modificando completamente a aparência da árvore. Após a polinização, as flores gradativamente vão sendo substituídas por pequenos frutos verdes, esféricos, que tornam-se vermelhos e depois negros, quando completamente amadurecidos.
Os frutos são do tipo baga, apresentam casca brilhante e fina, que rompe-se facilmente à primeira mordida, evidenciando a polpa branca, doce e suculenta que envolve cerca de 1 a 4 sementes. Os frutos geralmente são consumidos in natura, mas prestam-se para o preparo de sucos, licores, aguardentes, vinagres e doces. São também muito atrativos para as aves silvestres. As safras de jaboticaba são proporcionalmente abundantes às chuvas que acompanham o amadurecimento dos frutos.
A jabuticabeira é uma planta elegante de folhas pequenas e atinge seu “auge” como planta ornamental durante a floração e frutificação. É uma planta própria para o quintal ou pomar, pois suas frutas azedam muito rapidamente o que a torna difícil de ser cultivada em grandes pomares comerciais. Como imortalizou o poeta Carlos Drummond de Andrade: “Jaboticaba chupa-se no pé”. É crescente sua utilização em jardins de vasos e como bonsai também, principalmente a variedade “Sabará”, de menor porte e maior precocidade.
A jabuticabeira é uma árvore de crescimento lento, que demanda cerca de 10 anos para sua primeira frutificação. Mas quando começa não para mais e sua produtividade cresce a cada ano. Quando adulta ela pode alcançar cerca de 15 metros de altura e apresenta copa em formato piramidal.
Além da “Sabará”, as variedades de jabuticabeira mais cultivadas são a “Paulista”, de grande porte, alta produtividade, frutos grandes, a “Branca”, de porte médio, com muitos frutos grandes, verde-claros; a “Rajada”, que tem os frutos verde-bronzeados, grandes e doces, mas sua maturação é mediana, e a “Ponhema”, a mais apropriada para a industrialização do fruto, apresenta maior crescimento, alta produção e frutos grandes, que só devem ser consumidos quando bem maduros.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solos férteis, profundos e ricos em matéria orgânica. As mudas devem ser plantadas em covas bem preparadas, caladas e adicionadas de esterco curtido, torta de mamona, farinha de ossos e húmus de minhoca. É muito exigente em água, devendo ser irrigada regularmente, com especial atenção durante a floração e frutificação. É pouco tolerante às secas ou geadas Multiplica-se por sementes ou enxertia.


Cereja-do-rio-grande
Eugenia involucrata
Ficha Técnica
Nome Botânico:
Eugenia involucrata
Sinonímia: Phyllocalyx involucratus, Phyllocalyx laevigatus, Eugenia paraguayensis
Nome Popular: Cereja-do-rio-grande
Outros Nomes: Cereja, Cerejeira, Cerejeira-da-terra, Cerejeira-do-mato, Cerejeira-do-rio-grande, Guaibajaí, Ibá-rapiroca, Ibajaí, Ibárapiroca, Ivaí, Ubajaí
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Origem: América do Sul, Brasil
Clima: Subtropical, Tropical
Ciclo de Vida: Perene
Altura: 4.7 a 6.0 metros, 6.0 a 9.0 metros, 9.0 a 12 metros, acima de 12 metros
Família: Myrtaceae
A cerejeira-do-rio-grande é uma árvore frutífera e ornamental, bastante popular nos quintais e pomares do sul e sudeste do Brasil. Sua copa é colunar e seu porte é pequeno a médio, alcançando de 5 a 15 metros de altura. O tronco é reto, liso e descamante, com belas tonalidades de cinza, castanho, verde ou vermelho, dependendo da fase da casca. As folhas são simples, cartáceas, brilhantes, opostas, lanceoladas a elípticas e aromáticas.
As flores são axilares, longopedunculadas, solitárias, pentâmeras e brancas. O centro da flor é caracterizado por numerosos e longos estames, com anteras amarelas. Os frutos são bagas subglobosas a piriformes, de casca fina, cor vermelha a negra quando maduras, coroados pelo cálice persistente. Cada fruto pode conter de uma a três sementes de cor castanha, grandes e oblongas. Floresce e frutifica na primavera.
No jardim ou no pomar, a cerejeira-do-rio-grande se destaca pelo tronco elegante e copa decídua, que marca as estações e ainda fornece numerosos frutinhos. Além disso, é indispensável em áreas de reflorestamento, pois é muito atrativa para a vida silvestre. Os frutos são muito saborosos, doces e levemente ácidos, com polpa carnosa e suculenta. Eles podem ser consumidos in natura ou na forma de compotas, geléias, sorvetes, vinhos, licores, etc. Também pode ser plantada em vasos. A queda dos frutos produz um certo lixo e mancha calçadas e carros, por este motivo, deve se evitar seu uso em áreas de estacionamento.
Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, em solo fértil, profundo, drenável e enriquecido com matéria orgânica. Aprecia sombreamento parcial e irrigação periódica nos primeiros anos após o plantio, sendo gradativamente descoberta. Tolerante ao frio. É importante a fertilização anual com adubos químicos ou orgânicos, aplicados na projeção da copa. Também deve se ter o cuidado de manter a árvore bem hidratada durante a floração. Uma irrigação complementar neste período, em caso de estiagem, pode garantir uma boa frutificação. Multiplica-se por sementes que germinam em até 2 meses. A frutificação é precoce, iniciando 4 anos após o plantio. O espaçamento ideal é de 6 metros entre as mudas.
